Estímulo reconhecível

Texto originalmente publicado no blog Tudo É Dança para o Jornal de Piracicaba


Um dos principais objetivos da Mostra Estímulo, que integra as atividades do 5º Festival de Dança de Londrina, é revelar novas produções e olhares para a dança contemporânea. Na mostra, grupos previamente selecionados se apresentam e são avaliados por uma banca formada por três pesquisadores de dança, que no dia seguinte à apresentação discutem com o grupo sobre a coreografia apresentada.


Na primeira noite do evento, que aconteceu na quarta-feira, subiram ao palco do Teatro Ouro Verde, três grupos: a Cia. Eliane Fetzer, de Curitiba; a Cia. de Dança da Unipar, de Umuarama e o Grupo Voluta, de Campinas. Todos os trabalhos tinham como base movimentos de dança contemporânea, uns com melhores bailarinos, outros com uma pesquisa mais consistente, outros com problemas a serem corrigidos. Mas cada um com sua identidade definida.


A Cia. Eliane Fetzer, por exemplo, mostra um elenco forte, que ao executar os movimentos revela um grupo maduro, porém, o trabalho requer cuidados. O nome da coreografia assinada por Eliane, “Kaludha”, que quer dizer silêncio em grego, se contrapõe à dança. A música de Naná Vasconcelos é totalmente trabalhada com palavras, o figurino é muito informativo e o grupo parece preso a uma linguagem que não é dele. É possível identificar na companhia uma semelhança de movimento e também de figurino de companhias da dança contemporânea brasileira.


A Cia. de Dança da Unipar apresentou “2x2”, de Solmara Castelo Branco de Oliveira. O trabalho, fragmento de uma coreografia maior, tem como principal temática o amor. O desafio da coreógrafa já começa com o próprio tema escolhido. Como coreografar o amor? Será que basta no palco apenas um casal trocando carícias? Sob a música de Wim Mertis e Delibes, o grupo que tem coesão coreográfica precisa se atentar mais à singularidade dos movimentos, ou seja, não é necessário traduzir a música, ou melhor, não é necessário dançar somente com ela. É possível dialogar com o todo.


A surpresa da noite foi, sem dúvida, o Grupo Voluta, que acabou “estimulando” e fazendo jus a uma mostra preocupada com a pesquisa e com a qualidade do movimento. A trupe, oriunda do curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) apresentou “PoCoCer”, uma criação coletiva que significa: Procedimento que Conduz a um Certo Resultado. No trabalho, quatro intérpretes mostram um bom entrosamento cênico com música especialmente composta para a obra e, sobretudo, saem do comum. O Voluta é capaz de instigar a produção da dança contemporânea hoje e nos fazer acreditar que existe uma luz no fim do túnel.


Outros 12 grupos sobem ao palco do Teatro Ouro Verde hoje, na segunda parte da Mostra Estímulo. Até o final do festival, que conta com apresentações de companhias profissionais nacionais e estrangeiras, dois grupos receberão um prêmio em dinheiro. Os trabalhos serão escolhidos pela banca de pesquisadores e a direção geral do festival é de Leonardo Ramos.



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