August 12, 2015

Please reload

Posts Recentes

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Posts Em Destaque

Crítica / Quixotes da dança

November 1, 2007

 

                                                                                                               Foto: Arnaldo Torres

 

 

Texto originalmente publicado no blog Tudo É Dança para o Jornal de Piracicaba

 

"Quixotes do Amanhã”, coreografia de Fernando Machado para a Cia. de Dança de Diadema, que foi apresentada no Sesi Piracicaba no domingo, 28, começa antes mesmo de a cortina se abrir. O bailarino Ton Carbones está colocado no canto da platéia. Ele é uma espécie de menino de rua, que vê no dia seguinte a esperança de um mundo melhor. Cidadão do tempo. Quixote do amanhã. No proscênio, copos de plástico amassados chamam a atenção. É o lixo. Proposta de concepção da companhia para esta montagem que por sinal é bem trabalhada e sai da reciclagem convencional da dança contemporânea.

 

Quando a cortina se abre, a dança se revela. É possível assistir a uma fluida movimentação que se abdica da junção de passos para dar ênfase a uma forma de linguagem que mistura a dança contemporânea ao teatro coreográfico. O palco aberto — sem o uso das coxias — serve de cenário para uma cidade onde o homem é tratado como bicho, que caça para sobreviver. Na sutil poesia de Quixote está o subtexto de que é preciso respirar ar puro, quem sabe ar que dança, e que consegue dançar em meio ao lixo que ocupa todo o espaço.

 

Os bailarinos são bem preparados. Mostram sincronicidade e força na execução. Porém, é Fernanda Bueno quem chama atenção. Não é pelo nu, que executa em um momento do espetáculo — por sinal um nu de costas muito bem colocado —, mas sim pela força e vigor físico com que interpreta a coreografia musicada ao vivo por Loop B, com iluminação do talentoso Ari Buccione.

 

Com direção de Ana Botosso, o trabalho provoca uma reflexão que vai além do mau direcionamento do lixo provocado pela inconsequência do homem. Estaríamos nós todos no lixo? Qual o lugar da dança na contemporaneidade? Não basta acreditar, talvez seja preciso dançar.


DIÁLOGOS IM(POSSÍVEIS) — Após o espetáculo foi proposta uma conversa com os bailarinos e com Machado. A trupe falou um pouco sobre o processo de composição da coreografia, a criação da companhia e o belo trabalho que desenvolvem como arte-difusores. Infelizmente as poucas pessoas da área da dança piracicabana que assistiram ao espetáculo não ficaram para o bate-papo. Se pensam que perderam somente um monte de palavras, se enganam. Perderam dança. Talvez o Fantástico ou mesmo o Domingo Legal fossem mais importantes. Ainda bem que acabou o espaço. Não é preciso dizer mais nada.

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Procurar por tags