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As várias formas de ‘Polígono’ / Crítica - São Paulo Cia. de Dança

September 13, 2008

 

 

                                                                                                                                Foto: Gal Oppido

 

 

 

Texto originalmente publicado no blog Tudo É Dança para o Jornal de Piracicaba

 

Olhares atentos esperam os três sinais. Os convidados estão acomodados nas poltronas do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo; a imprensa com máquinas fotográficas barulhentas, clica as personalidades; discursos de autoridades são proferidos, e finalmente, as cortinas são abertas. É a estréia da São Paulo Companhia de Dança, com “Polígono”, do italiano — radicado no Japão — Alessio Silvestrin, com colaboração de Ricardo Scheir e Maurício de Oliveira, sob a “Oferenda Musical”, de Johann Sebastian Bach (1685-1750), revisitada pelo grupo belga Het Collectief.

 

Polígonos são formas geométricas de igual número de lados e ângulos — traços que se encaminham para diferentes direções e cujo encontro compõe um corpo geométrico organizado e coeso. “Polígono” segue estrutura semelhante. O linóleo branco que evidencia os corpos e as sombras chinesas — muito usadas no trabalho — servem de espelho para que os corpos dos 40 bailarinos da São Paulo Companhia de Dança possam dialogar. O contraponto funciona, estabelece a relação ao mesmo tempo de concordância e discrepância entre as vozes musicais, com um mesmo motivo enunciado com variações de tempo e maneira.

 

As evidências são capazes de comunicar corpos treinados (para pouco tempo de companhia), que por vezes aparecem e desaparecem por meio de biombos, por um piscar de olhos, por uma troca de movimento musical ou mesmo de sapatilha. Em alguns momentos a expressão de uma ou outra bailarina nos obriga a reparar pequenas arestas deste quadrado quase perfeito, é um sorriso fora de sintonia aqui, uma risada dissonante acolá. Simples de recolocar. Aplausos à iluminação de Wagner Freire e Silvestrin, ela sim, foi além do esperado.

 

Silvestrin criou um trabalho cujas formas, retas e ângulos — que nos faz lembrar William Forsythe, coreógrafo com quem o italiano já trabalhou — feitos pelo corpo se aliam a uma leve torção de ombro ou mesmo inclinação de cabeça. Um excelente ponto de partida para uma companhia recente, que ainda deve firmar no cenário da dança brasileira sua gramática corporal. Melhor “Polígono” do que outro trabalho que apontasse comparações.

 

O figurino simples — elas de colant e eles de calça e camisa, sendo que todos têm as costas transparentes — evidenciou formas (algumas sinuosas) e compôs a proposta que também utilizou recursos de dança e tecnologia. Em um determinado momento, uma sombra chinesa revela outra imagem: o meio do palco é projetado de cima para frente, sendo que o público consegue ver tudo o que se passa por trás da tela. Nada novo, porém, bem colocado. Os movimentos limpos absorvem a dramaturgia de Bach — que diversas vezes é inevitavelmente mais forte — para revelar os quatro lados do corpo. O polígono se fecha para dizer que a São Paulo Companhia de Dança nasce com o pé direito, porém, a dança pede mais e para isso será preciso (e natural) esperar mais um pouco.

 

 

TRABALHOS — Criada para valorizar talentos brasileiros em janeiro deste ano, a São Paulo Companhia de Dança tem direção artística de Iracity Cardoso — que foi diretora artística do Ballet Gulbenkian de 1996 a 2003 e co-diretora de 1988 a 1993 — e direção adjunta de Inês Bogéa — crítica de dança do jornal “Folha de S. Paulo” de 2000 a 2007. Os próximos trabalhos da companhia, “Les Noces” (1923), de Bronislava Nijinska (1891-1972); “Serenade” (1935), de George Balanchine (1904-1983); e uma criação inédita do coreógrafo brasileiro Paulo Caldas, poderão ser vistos a partir de novembro, em São Paulo, João Pessoa, Belém e Curitiba.

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