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Nota de rodapé

March 9, 2012

 

 

 

 

 

Texto originalmente publicado na Revista de Dança 

 

Não sei se isso é conto, ensaio, reportagem, texto de e-mail. Não sei se é prosa, poesia, ensaio, artigo. Talvez seja desabafo, reflexo, depósito de sensações do corpo que ganha registro na tela de um computador. Talvez não seja nada, não tenha nome e nem seja adequado para este momento. Fiz uma escolha e resolvi acreditar nela: escolhi a dança como profissão. Já usei sapatilha de meia-ponta, ponta. Sapato de sapateado, de flamenco. Toquei até castanhola. Dancei com botinhas de jazz até elas fazerem furos. Tive orgulho da sapatilha suja e achava um máximo usar meia calça rosa com chinelos. Mesmo assim, optei por outra forma de movimento: o das palavras que se movem, se moldam e preenchem espaços e que agora, aqui, na Revista de Dança, especialmente nesta coluna, ganham outros contornos.

 

A Revista de Dança é um sonho concreto, tanto meu, quanto da Flávia Fontes Oliveira, que pretende cobrir a dança brasileira e internacional de forma particular, procurando acentos, linguagens e tendências com um enfoque crítico e jornalístico. Esta coluna não foge dessa proposta, porém, na maioria das vezes, será publicada em primeira pessoa para dialogar com você que já acompanhava a sua versão blog (tudoedanca.blogspot.com) e para dizer coisas que eu talvez só consiga “falar” por meio da escrita.

 

Tudo É Dança nasceu em 2007, num jornal impresso: o Jornal de Piracicaba, veículo que trabalhei durante cinco anos (2004-2009). Foram três anos e meio em que a dança teve lugar garantido no jornal. Todas às sextas-feiras um novo texto era publicado. Sem censura, só com definição de tamanho. E eu sempre queria mais espaço, apesar de entender que as 100 linhas, ou os 40 centímetros eram uma grande conquista para o tema. A coluna, publicada às sextas-feiras, ganhava versão online no mesmo dia e foi assim que o blog cresceu e as críticas que eu fazia em festivais, como o Festidança ou o do Festival de Dança de Joinville, se somaram a ele.

 

Com a minha mudança para São Paulo, motivada pelo convite para trabalhar na São Paulo Companhia de Dança, onde hoje sou coordenadora de comunicação, achei que fosse escrever mais. Não fiz isso. O blog continuava sendo atualizado, mas o movimento foi mais de pausa do que de ataque. E foi nesse intervalo que aprendi grandes lições de vida: que mesmo sendo perfeccionista, erro; que não posso exigir do outro que ele faça como eu gostaria que fizesse; que a generosidade é uma qualidade essencial para um chefe e, a mais importante, que eu tinha sim feito a escolha certa.

 

Foi um hiato importante, mas é preciso entrar no ritmo novamente. E isso deve acontecer aqui. A Revista de Dança tem sua coreografia própria. Em cada lugar desse grande projeto está um pouco de cada uma das pessoas que trabalham e ainda irão passar por aqui ao longo deste ano. Acredito na Revista de Dança. Como ela é. Como ela pensa. Como ela se mostra. Como ela dança. E como uma nota de rodapé, bem colocada ao pé da página e dialogando com um novo contexto, ela se torna referência não só da dança brasileira, mas de onde queremos ir, do que queremos fazer, para qual horizonte queremos olhar, porque só queremos dançar. Dançar com palavras pelos palcos, pelas telas, pelos livros, pela memória. Dançar de modos híbridos. Ser.
 

 

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