Priscilla: vale a carona

Texto originalmente publicado na Revista de Dança


Priscilla – A Rainha do Deserto estreou na Austrália, em 2006, e há pouco mais de um ano ocupa o Palace Theatre, na Broadway. Porém, não é preciso mais ir tão longe para assistir ao musical. Uma excelente versão brasileira já pode ser vista em São Paulo, no Teatro Bradesco. Antes de qualquer reflexão é preciso salientar que a (re)montagem tupiniquim é fiel à original, tanto no que diz respeito à cenografia, quanto à própria estrutura de texto e coreografia. (Um comentário sobre a versão americana foi publicado pela autora aqui no ano passado).


Se a plateia americana vem abaixo com a história das três drags Mitzi (Luciano Andrey), Felicia (André Torquato) e Bernadette (Ruben Gabira) e um ônibus, carinhosamente chamado de Priscilla, que vão de Sydney até a uma cidade no remoto deserto australiano para protagonizarem um espetáculo, a plateia brasileira, não responde de forma diferente. O público se diverte e, só por isso, já vale o ingresso. O grande destaque do elenco, formado por 27 integrantes, é Ruben Gabira, que dá vida à uma Bernadette impecável do começo ao fim.


A tradução das canções poderia ter sido uma cilada, mas a direção musical de Miguel Briamonte, com tradução e adaptação de Flávio Marinho, foi inteligente. Os refrões não foram traduzidos e assim o público pode cantarolar músicas como It’s raining men, Go west, I say a little prayer, Don’t leave me this way, I will survive, I love the nightlife, Shake your groove thing e outras. Os figurinos coloridos dialogam com a iluminação e os adereços cênicos que trazem um mundo Disney-futurista para cena, sobretudo, em quadros como Go west ou a cena de Broken hill pub.



Foto: Divulgação



A plateia nacional vem abaixo com a história das três drags Mitzi (Luciano

Andrey), Felicia (André Torquato) e Bernadette (Ruben Gabira) e um

ônibus, carinhosamente chamado de Priscilla, que vão de Sydney até a

uma cidade no remoto deserto australiano.

As coreografias originais remontadas por Tania Nardini, veterana dos musicais, que também assina a direção geral, chamam atenção para o trabalho de Simone Gutierrez, intérprete de uma das divas, mas que pode ser vista em diversos trechos do musical como ensemble. O que salta aos olhos, não é a Simone que aparece na TV ou a “engraçadinha” que foi protagonista de recentes montagens como Hairspray ou New York, New York – O Musical. Simone sabe usar o corpo na voz. Os movimentos, mesmo que pequenos, têm força, dramaturgia, intensidade. É aí que podemos notar a sua qualidade cênica de bailarina-atriz-cantora. Não tem como não olhar para ela.


Para não dizer que não tem “poréns”, algumas considerações. O programa, uma simpática réplica da Playbill americana, contextualiza a história para o público de uma forma superficial e o elenco geral ainda precisa de um “time” afinado para saber como agir com imprevistos. Por exemplo, um armário-penteadeira que se abre e revela a cena seguinte fazendo o espectador se ver refletido nele. Se abriu sem querer, feche na mesma hora! São os pequenos detalhes, que no resultado final fazem diferença.


Priscilla é um musical para se divertir, rever valores e, sobretudo, entender que o amor vence qualquer ideia de preconceito.


Serviço: Em abril, sessões de quinta a domingo. Informações completas aqui.


*A crítica assistiu ao espetáculo a convite do Teatro Bradesco.

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