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Fame de Corina Sabbas

 

 

 

 

 

 

Texto originalmente publicado na Revista de Dança

 

“Sim! Sim! Eu rezo para ser um sim”. O verso da canção (Sim, eu posso bem mais) de abertura de Fame – O musical, que teve estreia VIP na última segunda-feira, no Teatro Shopping Frei Caneca, em São Paulo, resume o sentimento da classe artística quando se depara com uma nova montagem brasileira de musical. Sempre esperamos que sim, ela seja boa, que as traduções sejam bem feitas, que a coreografia seja inteligente e a melodia fique grudada no corpo e na cabeça de quem sai do teatro duas horas depois do espetáculo. Em cartaz até 29 de junho.

 

Fame estreou na Broadway em 1988, já foi montado em mais de 30 países e é inspirado no filme homônimo, dirigido por Alan Parker, em 1980. A história, que foi replicada na série Step Up (em português: Ela dança, eu danço), é o desejo de qualquer adolescente que estuda em uma escola de artes, no caso do musical, na New York High School of Performing Arts: conquistar a fama com arte. Focada nos quatro anos de formação dos jovens, a trama revela, ao mesmo tempo, as potencialidades artísticas de cada intérprete e suas fragilidades.

 

 

Na versão brasileira dirigida por Billy Johnstone, Carmen Diaz, a protagonista, escolhida ao lado de outros 96 alunos, entre mais de quatro mil candidatos para estar na escola, é vivida por Corina Sabbas (que altera com a global Paloma Bernardi). Quem se lembra de Corina em New York, New York – O musical (que volta aos palcos em agosto), como uma das sucrettes se surpreende. Seu primeiro figurino, em que usa uma blusa escrito Breaker, faz jus à intérprete. Ela “quebra tudo”, parece um vulcão em erupção que só cresce na potência, seja na atuação ou na voz. Antes de qualquer coisa, vale por ela.

 

Em Fame existe um quarteto de peso. Além de Corina, Giulia Nadruz, Vânia Canto e Cidalia Castro merecem atenção. Giulia dá vida a uma Selena Katz doce e cômica, mas é a sua afinação que faz com o que o corpo do espectador fique suspenso na cadeira e a respiração presa por um instante. Dá para fechar os olhos e ver a música. Uma das cenas mais bonitas do espetáculo (Ter um romance) é interpretada por ela. A luz de Wagner Freire desenha um espaço em que ela parece dialogar com a sua sombra. O espectador consegue vê-la de frente e de costas. Detalhe que faz a diferença. Uma luz que sobressai.

 

Vânia Canto, intérprete de Mabel Washington, arranca gargalhadas e aplausos com uma espécie de Gospel da Fome, titulado de Prece da Mabel. Ela é uma gordinha afinada que não quer saber de fazer regime e nem por isso deixa de estar lá. Com muito mais maturidade, Cidalia Castro transita à vontade no meio jovem do elenco. Como a Srta. Sherman, a professora de inglês da trupe, ela mostra que para fazer “música, teatro, dança, o que for” é preciso de técnica. Ela tem.

 

Aparecem pontos que precisam de ajustes, alguns de afinação como em Eu vou fazer sonhos e outros de técnica de dança, sobretudo, de balé clássico. O conjunto de bailarinos é muito mais forte em termos técnicos do que a bailarina tema. Alunos do primeiro ano em uma Escola de Artes Performáticas, que optam pela dança, têm uma noção clara de como colocar os pés, joelhos e executar com clareza as posições básicas do balé clássico. Vale ajustar e ensaiar “bem mais”. No contraponto, as cenas com hip hop, com coreografias de Guto Muniz, são criativas, precisas e bem marcadas.

 

 

A versão brasileira de Victor Muhlethaler é clara e o musical se faz entender pelas canções e organização das cenas. A orquestra com regência de Paulo Nogueira segura o espetáculo e sua performance no fosso também vale um registro. A batuta parece dançar e seus olhos não se desgrudam do palco. A cenografia de Duda Arruk é linda e harmoniosa. Na cena inicial, seis colunas com 19 tubos transparentes cada criam um holograma e, quando a cortina se abre, lá estão outras oito torres, também transparentes, que mostram a divisão dos prédios da universidade: uma espécie de Julliard, em sua arquitetura. Um diálogo perfeito com a luz.

 

Fame é um musical para os adolescentes entenderem que é possível sobreviver no cenário artístico fazendo com prazer o que se mais gostam: arte. Errando, desafinando, acertando, fazendo testes, e sabendo que nem sempre todos serão os escolhidos. E Sim! Sim! Carmen Diaz, ou melhor, Corina, você é a grande escolhida, Fame é para você.

 

 

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