Please reload

Posts Recentes

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Posts Em Destaque

Plano B

August 3, 2012

                        Marcela Benvegnu - atividade sobre dança no Hospital Pequeno Príncipe  em

                            Curitiba

 

 

 

Texto originalmente publicado na Revista de Dança

 

Eu só poderia tirar um dia de folga do trabalho para conhecer o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, no final do ano passado. A Flávia Fontes Oliveira, minha sócia, estava grávida de sete meses do Antônio e não podia mais voar. Não pensamos em outra alternativa: Iríamos pela manhã, de carro, para uma reunião, às 14h, e depois voltaríamos para São Paulo. A Bia Fonseca, nossa produtora executiva, organizou o bate e volta. Os mais de 400 quilômetros que separam São Paulo de Curitiba foram feitos em mais de seis horas. Foi uma viagem longa pela BR-116 devido ao trânsito e, talvez mais longa ainda, porque estávamos ansiosas pela chegada.

 

Aquele era o nosso primeiro encontro com a equipe do HPP, apoiador do projeto da Revista de Dança, em 2012. Nosso desafio era o de apresentar a eles uma série de atividades relacionadas à dança para que as crianças pudessem ter contato com esta arte. Claro que estávamos apreensivas. Conhecemos diversas alas do hospital e pessoas que executam além das suas tarefas diárias em prol do funcionamento da instituição. Elas dividem amor.

 

Foram algumas horas naquele espaço, em uma realidade diferente da nossa, a qual, a cada novo encontro, ainda aprendemos a entender. A volta para casa foi silenciosa. No caminho “caíam” algumas fichas e a realidade batia no peito. Sim. É mentira dizer que não reclamamos por bobagens, por pressão ou por algo que não deu certo. Reclamamos. E, enquanto isso acontece, centenas de crianças que estão em tratamento no hospital encontram forças para sorrir.

 

Ajustes aqui. Ajustes ali. Depois de alguns dias, tínhamos o projeto de contrapartida no HPP afinado. O primeiro encontro previa contação de histórias com figurinos na hemodiálise e depois vídeos de balé comentados. Não funcionou. Não pudemos entrar na “hemo” – como eles chamam – porque o local estava recebendo novas crianças. Uma atividade que era para ser em grupo não foi. Acabamos indo aos quartos das crianças e contando histórias para cada uma delas. Deixávamos uma estrela mágica com cada uma. Conhecemos histórias, dividimos as nossas, recebemos sorrisos.

 

Fomos aos poucos entendendo que o tempo das crianças é diferente do nosso. Primeiro por uma questão de idade, claro, e segundo por questão de necessidade. Às vezes, elas têm que sair da atividade para tomar um remédio, outras porque têm atendimento, outras porque é hora do exame, do jantar… Aprendemos que não é preciso termos uma grande plateia para mostrarmos resultados, que é preciso ter um plano B na manga e, sobretudo, que se conseguirmos o sorriso de ao menos uma criança naquele dia, nossa missão foi cumprida.

 

Para o segundo encontro organizamos uma apresentação: Christiane Matallo levou sapateado e música para a Praça do Bibinha. Vimos que aquilo funcionava mais do que as palavras. As crianças, pais, cuidadores, voluntários, equipe, gostaram de ver a apresentação. A dança em sua forma mais plena modificou aquele dia de outra forma. Quando chegamos a São Paulo, outro plano B: tirar as atividades teóricas do projeto e inserir práticas. Eles precisavam dançar.

 

No mês seguinte, a coreógrafa Erika Novachi se dispôs a sair de Indaiatuba para ir a Curitiba contar uma história e ensinar alguns movimentos de jazz dance. Levamos sapatilhas, livros e pensamos em uma plateia mais juvenil. Outro aprendizado: fomos parar na brinquedoteca do quinto andar, que estava cheia de bebês! O plano B foi brincar de boneca, fazer desenhos com as partes do corpo.

 

Quem dançou no espaço depois foi a Escola de Dança do Teatro Guaíra, que desvendou um local que não conhecíamos: a creche. No nosso último encontro (sim é um encontro, no qual dividimos a arte que escolhemos mais viver com aqueles que lutam pela vida) tivemos uma apresentação de dança indiana com as bailarinas Citralekha Devi Dasi e Bibiana, que ensinaram para as crianças alguns mudras, da dança indiana.

 

O projeto do HPP com a Revista de Dança se chama Magia da Dança, mas quem faz magia nas nossas vidas são aquelas crianças. Todo mês estamos lá, continuamente, para uma nova apresentação. Confesso que são as únicas horas do mês que desligo meu telefone celular. Estamos ali inteiras, para elas. A verdade é que os maiores beneficiados somos nós, a equipe da Revista e nossos convidados. Aprendemos a ver de outro modo. A pensar de outro jeito. A dançar a vida com outras pessoas e de modos antes não experimentados. Optamos pelo plano B em favor do A. Assim tem sido desde então. Um B com mais atenção e importância. Um B que transforma, um a um.

 

Hoje entendo a frase que a Flávia me dizia há anos: “Precisamos ter um plano B”. E ele está aí. Chegou ao seu tempo. E, como ela mesma me disse na semana passada, “virou A+”.

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Procurar por tags
Please reload

Arquivo
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square
  • LinkedIn - Black Circle
  • Instagram - Black Circle
  • Facebook - Black Circle

CONECTE-SE!