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Para outro tempo, Richard Cragun (1944-2012)

October 7, 2012

Texto originalmente publicado no blog Tudo É Dança

 

Rio de Janeiro, agosto de 2012. No palco do Theatro Municipal, neste final de semana, acontecia a estreia de Onegin, de John Cranko (1927-1973), remontado por Marcia Haydée, Richard Cragun e Jane Bourne – colaboradora de Cranko no Stuttgart Ballet. Ao lado de Márcia, foi Cragun o grande intérprete desta peça criada para ela, em 1965. Durante a remontagem, ele apontou detalhes, trocou confidências com os intérpretes, dividiu seu conhecimento de corpo para o corpo daqueles bailarinos que interpretariam o papel. Ricky, como era carinhosamente chamado, não conseguiu assistir a estreia da temporada: seus olhos azuis se fecharam na madrugada de hoje, vítima de uma septicemia e convulsão decorrente de problemas entre os remédios de um coquetel (HIV) e um anticonvulsivo. O corpo será cremado amanhã, às 13h40, no Crematório do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro, em cerimônia fechada.

                                                                                                     Foto: arquivo

                   

 

João Wlamir, maitre de balé do Municipal do Rio de Janeiro, conselheiro artístico do Festival de Dança de Joinville (2010-2012) e diretor da DC Companhia de Dança, diz que Richard Cragun foi seu principal mito.

 

“É uma grande perda. É uma pena que neste momento de alegria, quando Onegin volta ao palco do Municipal do Rio de Janeiro, com Cragun tão animado, recebermos esta notícia”, fala a primeira-bailarina do Theatro, Ana Botagofo, em entrevista à Revista de Dança. “Meu contato com ele é antigo. Acompanho seus trabalhos, tanto no Brasil, quanto no exterior há muito tempo. Ele foi nosso diretor aqui no Municipal e o considero meu padrinho em Onegin, pois quando trouxe esta peça para ser remontada para a casa, em 2003, dizia que Tatiana era uma personagem para mim, para aquele meu momento. Me lembro, que para a primeira versão, ele nos ensaiou incessantemente e como tivemos uma temporada adiada ficamos quase quatro meses trabalhando juntos”, relembra Ana, que se despede dos papéis principais nesta temporada interpretando Tatiana. “Ele, sem dúvida, é uma personalidade da dança mundial. Ao lado de Márcia foram um casal símbolo. O que era para ser alegre, agora ficou triste”, completa.

 

“Para a dança e principalmente para os trabalhos do Cranko é uma perda inestimável”, fala Hélio Bejani, diretor artístico do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. “É a memória da dança quem perde com a sua morte. Durante os ensaios de Onegin ele trazia uma contribuição fantástica para os nossos bailarinos porque já tinha dançado aquela obra. 

 

                                        Foto: arquivo

 

“É uma grande perda. É uma pena que neste momento de alegria, quando Onegin volta ao palco do Municipal do Rio de Janeiro, com Cragun tão animado, recebermos esta notícia”, fala a primeira-bailarina do Theatro, Ana Botagofo, em entrevista à Revista de Dança tinha dançado aquela obra. Ele dividia sentimento, explicava a intenção do gesto, o que para mim é muito importante. Como bailarino, me espelhei muito nele. Foi um grande intérprete”, completa o diretor.

 

As palavras de Bejani encontram eco nas da crítica de dança e bailarina do Municipal do Rio de Janeiro, Eliana Caminada. “Uma grande perda para a dança clássica” afirma. “Antes de ser um grande remontador, Cragun foi um bailarino fantástico a ponto de Cranko montar uma peça para ele (Initials R.B.M.E. (1972) – as abreviações são para as iniciais de Richard Cragun, Birgit Keil, Márcia Haydée e Egon Madsen). Era um grande criador de personagens, um ator magnífico. Jamais esquecerei seu Petrucchio em Taming of the shrew (A megera domada, 1969, de Cranko)”, fala Eliana. “Ele era um partner excelente. Não havia o que ele não pudesse solucionar em cena. Foi, ao lado de Márcia, uma figura fundamental para a sobrevivência do repertório do Sttutgart Ballet, depois da morte do Cranko.”

 

Eliana conta que Cragun remontou em 1968, para a Companhia Brasileira de Ballet, Opus I, também de Cranko. “Eu dancei a obra e me lembro do modo como ele remontou, do cuidado em tirar o melhor do corpo de cada bailarino. O trabalho do remontador é esse; acho que é uma das coisas mais lindas ver essa cultura e tradição sendo passada de um artista para o outro, e entender como o corpo dele memorizou aquilo”, fala. “Perdemos uma pessoa muito agradável, simples, carinhosa”, completa.                                                                                                                                                                                                                       Foto: arquivo

João Wlamir, maitre de balé do Municipal do Rio de Janeiro, conselheiro artístico do Festival de Dança de Joinville (2010-2012) e diretor da DC Companhia de Dança, diz que Richard Cragun foi seu principal mito. “Foi a única pessoa que eu vi dançar e disse: quero ser como ele, um bailarino que é de carne e osso e tem muito, mas muito para ensinar”, aponta Wlamir. “Foi isso que aprendi com Cragun, a ser humano. Ser artista.”

A solista do TMRJ, Laura Prochet completa: “Eu ia ao teatro para vê-lo. Escolhia os dias que ele ia dançar porque queria ver sua força em cena. Me lembro uma vez quando ele foi assistir a um espetáculo do D.C Companhia de Dança, que eu não acreditei que ele estava ali. Era um mito, meu ídolo, meu mestre”, fala a solista. “Tive o privilégio de ser dirigida por ele na companhia, era pura generosidade”, completa.
 

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