Thiago Soares: a dança como ponto de partida

Texto originalmente publicado na Revista de Dança


Ele tem uma carreira pontuada por conquistas. Seu primeiro contato com a dança foi aos 12 anos, em um grupo de street dance e só aos 15 encontrou balé clássico. Aos 17 ganhou uma medalha de Ouro no Concurso Internacional de Dança de Paris e aos 18 se tornou bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Para o estágio no Kirov Ballet, em 2001, foi um pulo. Em 2002, entrou para o corpo de baile do Royal Ballet de Londres, onde ocupa, desde 2006, o posto de primeiro bailarino. Thiago Soares, este carioca de São Gonçalo, que pode ser visto nos palcos paulistas no ano passado na gala da São Paulo Companhia de Dança, volta “para casa” para comemorar 15 anos de carreira internacional.“Há exatos 15 anos fui convidado para a minha primeira gala no Japão, porém, esse espetáculo é uma comemoração maior. É um momento em que posso comemorar as minhas escolhas e reunir amigos, profissionais maravilhosos que tem a paixão pela dança”. Em entrevista a Revista de Dança, por telefone, do Rio de Janeiro, ele conta um pouco sobre Paixão, espetáculo que estreia nesta quinta-feira (dia 9) no Rio de Janeiro, segue para Recife e depois para São Paulo.

Foto: Wilian Aguiar

Em O Lago dos Cisnes que interpreta na temporada

Foto: M.Canivello

Espetáculo comemora 15 anos de

carreira internacional

Foto: Marcelo Coelho

Com Deborah Colker, que volta aos palcos



Confira os melhores trechos.


PAIXÃO

É o combustível da minha vida. Meu ponto de partida, o motivo pelo qual eu danço.


O ESPETÁCULO

Estou pensando nele há algum tempo com a Dell’Arte (produtora do espetáculo no Brasil). Eles me deram espaço para fazer alguns espetáculos que fossem relevantes para mim e para as pessoas que eu tivesse vontade de juntar. Era para ter acontecido no ano passado, mas eu tive uma lesão e precisei esperar o momento certo e que eu tivesse um mês para poder organizar e isso aconteceu agora de forma determinante. Hoje percebo que devo fazer coisas que são relevantes para mim e para o público, que mostre um pouco do que faço e para onde quero ir e Paixão é assim. Me dei conta que nessa vida apesar de eu fazer “solos” nunca estou sozinho, a união literalmente faz a força e o sentimento que move esse grupo que criamos para essa montagem, é a paixão pela dança, pelo palco.


CONVIDADOS

Eu gosto muito de fazer isso, juntar pessoas, fico feliz de celebrar. Este é um momento chave na minha vida porque eu pude decidir o que fazer, o que dançar, quem chamar. Com uma companhia profissional você segue as regras que ali são impostas e, nesse espetáculo, sou dono do meu destino, das minhas escolhas. Trago duas grandes partners: claro que Marianela Núñes (com quem foi casado) não poderia faltar a essa comemoração e, em meio a vários compromissos, ela vai conseguir fazer a turnê no Rio, depois Lauren Cuthbertson segue a turnê com a gente. Do Brasil temos a Companhia Brasileira de Ballet, dirigida pelo Jorge Texeira, que é um grupo de admiro, não só pela sobrevivência, mas pelo comprometimento, pelo trabalho, e temos Deborah Colker, um presente. Além dessas pessoas, contamos com alguns outros artistas convidados para fazerem os personagens da cena completa do terceiro ato de O Lago dos Cisnes, que abre o programa.


DUAS ESTREIAS

A segunda obra da noite é uma estreia mundial do Alessio Carbone, primeiro bailarino da Ópera de Paris, chamada Caresse du Temps (Carícia do Tempo) sobre os 14 prelúdios de Chopin, tocada ao vivo pelo pianista Silas Barbosa. É um balé para 17 pessoas, além de mim, e marca a transição do Carbone de bailarino para coreógrafo. Ele fez pequenos trabalhos experimentais antes de encarar este desafio. E a última peça do programa também é uma estreia mundial chamada La Bala, uma criação do Arthur Pita, um coreógrafo sulafricano, especializado em narrativas, que começou o seu caminho fazendo musical e obras não tão clássicas e que hoje, coreografa para importantes companhias. No ano passado, ele ganhou um Olivier Awards por seu The Metamorphosis, para o Royal Ballet. Sempre quis dançar algo dele. Eu só posso dizer que La Bala é A Bala mesmo, ela tem um começo, meio e fim e tem como objetivo comunicar pela movimentação, mas também pela interpretação, pelo lado teatral que para mim é muito sedutor.


DEBORAH COLKER

Essa era uma parceria muito esperada por mim. Eu assisti um trabalho da Deborah que me encantou e sempre tive vontade de dançar chamado Paixão (nota da redação: o balé é um trecho deVulcão, de 1994, e foi remontado para Balé da Cidade de São Paulo e para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro) porém, é uma obra para 16 pessoas e fiquei pensando quando teria a chance de dançá-lo e quando eu poderia reunir este elenco. Até que descobri e soube que tinha um pas-de-deux e poderíamos fazer juntos. Deborah demorou para aceitar porque estava fora dos palcos há um tempo, mas insisti porque tinha a certeza de que seria um encontro memorável. Agora que ela embarcou na ideia está sendo maravilhoso, os ensaios são especiais.


COREÓGRAFO?

Eu não tenho esse desejo, ao menos no momento, de fazer coreografia. Acredito que a pessoa precise ter um talento nato porque é algo muito específico. Eu ainda não tentei, tenho muito respeito por quem faz, mas nesse período me interesso mais em juntar pessoas, fazer produções, colaborações. Mas claro, um dia pode ser que eu queria experimentar.


DOCUMENTÁRIO

Estou evitando dar alguns detalhes sobre este documentário que o Felipe Braga está fazendo sobre a minha carreira para a HBO para não atrapalhar nenhum trâmite. Ele falou que gostaria de entrar na minha vida para me conhecer, para de fato entender o cotidiano e realmente fez isso. Entrou na minha história e hoje faz parte dela. Se envolveu com tudo, com todos. O resultado vai ser incrível e muito interessante para quem acompanha minha carreira.


O FUTURO

Depois dessa turnê viajo para Genebra para ver alguns amigos, e volto ao Brasil para lançar a linha de roupas masculina da Balleto, no dia 4 de agosto. Na sequência sigo para a Califórnia para uma Gala com a Lauren Cuthbertson, que vamos dançar Qualia (criada em 2003 para o Royal Ballet), do Wayne McGregor e outra obra ainda em definição. Na verdade vamos ver como estaremos fisicamente. Depois vou a Barcelona e para o México, este pela primeira vez, para duas outras Galas. E aí volto para Londres para a minha vida normal no Royal Ballet onde faremos Romeu e Julieta, do Keneth MacMillan e uma nova obra do Christopher Wheedon e outra do McGregor.


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