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Juanjo Arques, o (jovem) coreógrafo da vez

September 1, 2012

Texto originalmente publicado na Revista de Dança

 

Em julho deste ano, o espanhol Juanjo Arques subiu aos palcos holandeses para uma despedida. A partir daquele mês dançaria de outras formas. O solista do Het Nacional Ballet (HNB), de Amsterdam, anunciou: agora me dedicarei à criação. Arques parece ter feito uma boa opção, já que não acreditava ser possível conciliar as carreiras: ele é uma das novas promessas jovens da Europa. Em fevereiro deste ano, durante a comemoração dos 50 anos do HNB, na temporada Presente/s 1, da capital holandesa, estreou Consequence, criada para a companhia. O programa também trazia obras de Christopher Wheeldon, Alexei Ratmansky e de três coreógrafos residentes, Hans van Manen, Krzysztof Pastor e do diretor artístico Ted Brandsen. Em entrevista à Revista de Dança, ele conta sobre sua carreira, revela o processo coreográfico do seu último trabalho e aponta o que procura em cada criação. Confira os melhores trechos.

 

                                                                                                             Foto: Tycho Hupperts

                    Arques mistura clássico com influências que teve em sua carreira

 

 

                                                                                                              Foto: Angela Sterling

                   A coreografia trata das relações mutáveis entre homem, natureza e

                   tecnologia em nosso mundo moderno

 

 

                                                                                                                               Foto: Angela Sterling

                   Uma de suas inspirações foi a tragédia que aconteceu no Japão em

                   2011, quando foi devastado por terremoto e tsunami

 

 

                                                                                                                              Foto: Angela Sterling

                   Os figurinos são leves e com pouca costura, rementem às roupas urbanas

 

 

Quando você “entrou na dança”?

Foi aos dez anos, no Conservatório Profissional de Dança, em Murcia, Espanha. Foi lá que José Antonio Robles me incentivou a seguir carreira. Em 1994, eu me mudei para Madrid, para completar meus estudos na Escola Carmina Ocaña e pouco tempo depois fui escolhido para entrar na Companhia de Victor Ullate, onde me tornei solista, em 1998. Dois anos mais tarde, o English Nacional Ballet me ofereceu um contrato como solista e, claro, aceitei. Em Londres, vivi uma experiência maravilhosa. Fiquei lá por quatro anos e, em seguida, entrei no Het National Ballet, na Holanda, sob a direção de Ted Brandsen. Brandsen foi uma pessoa fundamental para o meu desenvolvimento por me permitir ir além do ofício de bailarino. Como coreógrafo criei várias obras para oficinas do Het National Ballet Annual Workshops.

 

E você acaba de deixar os palcos para se dedicar à criação…

Sim. Além dos meus projetos como coreógrafo, dancei até a última temporada (julho 2012) como solista. Pensei muito no assunto até parar de dançar, mas neste momento foi a melhor opção porque quero me dedicar integralmente à carreira de coreógrafo.

 

 

                                                                              Foto: Tycho Hupperts

                                                   Para Arques, o bailarino precisa

                                                   desafiá-lo e explorar o movimento

 

 

                                                                               Foto: Angela Sterling

                                                   “A obra versa sobre isto:

                                                    instabilidade, dependência,

                                                    poder e controle”

 

 

E como você começou a coreografar?

Em 2003, durante o Het National Ballet Annual Workshops, projeto que permite aos bailarinos da companhia criarem algumas obras. Mas foi em Amsterdam, no New Moves Festival, um programa para jovens coreógrafos, que o meu nome como criador ganhou mais força. Ao mesmo tempo em que coreografava para mim e dançava em diversos espaços, coreografava para pequenos projetos e escolas de balé que se apresentavam por toda a Europa e festivais.

 

Consequence, seu último trabalho, criado para as comemorações dos 50 anos do Het Nacional Ballet, recebeu excelentes críticas. Qual foi o mote desta criação?

O conceito por trás de Consequence reflete um tema metafísico, o das relações mutáveis entre homem, natureza e tecnologia em nosso mundo moderno e, questiona, a todo tempo, quem está no poder. A obra versa sobre isto: instabilidade, dependência, poder e controle. O trabalho está dividido em três partes: a primeira representa a natureza, onde estão as forças devastadoras; a segunda traduz a força humana, na qual a nossa precipitação é questionada, e a parte final nos faz refletir sobre a tecnologia, com questões que colocam lado a lado o homem que compete com a máquina e suas consequências.

 

O que te inspirou nesta obra?

Foi o conceito filosófico de sublime para noções contemporâneas. Escritores românticos da época do filósofo Kant (1724-1804), por exemplo, acreditavam que a natureza inspirava admiração e um sentimento de sublime, a ideia de que natureza era maior e mais significativa do que qualquer forma de criação ou compreensão. Ao lado disso, me inspirei nos fenômenos naturais, como o desastre que aconteceu no Japão, no início de 2011. Estes acontecimentos têm mudado a forma como as pessoas coletivamente olham para si, para o mundo natural e também para o mundo tecnológico, questionando seu senso de controle e segurança, confrontado com a indiferença, o poder e os caóticos femômenos da natureza.

 

A cena que antecede a coreografia é um vídeo em que os bailarinos dançam com a água. Isto chama atenção da plateia e contrasta com a obra, em que não se vê, mas se imagina a água. Por que você optou por esse tipo de imagem?

Depois que a coreografia já estava pronta, Altin Kaftira, que estava encarregado de fazer todos os vídeos para novas criações da noite propôs esta ideia. A água é uma referência ao tsunami que ocorreu no Japão e o resultado foi uma mistura das duas abordagens. Achei muito interessante e atraente de se olhar.

 

O figurino e a música trazem ideias urbanas. Era essa a sua proposta?

Quando conversei com o Oliver Haller (figurinista) sobre as ideias por trás do conceito da coreografia, ele pensou logo em algo mais solto e urbano, quase como uma roupa de rua. Optamos por tecidos leves com cortes mínimos. Queríamos algo simples, que pudesse combinar com os movimentos da peça e os bailarinos se sentissem confortáveis. Com relação à música, minha seleção mostra claramente os três momentos que falei acima. Para o primeiro movimento, escolhi um arranjo colaborativo de Ryuichi Sakamoto com Alva Noto. Na peça, Sakamoto usa as cordas para quebrar certos momentos e leva o ouvinte a um mundo de reflexão melancólica, balanceado pelo contrabaixo de Noto, com frequências eletrônicas. No segundo momento, uso Fordlandia – Aerial View, do islandês Johan Johannsson, como uma forma de lamentação contemplativa de cordas (violinos e violoncelo), com o complemento de uma percussão. O resultado é bonito e urbano, sim. E a terceira parte é uma pista eletrônica do Noto, que pertence a uma compilação de outras peças na tentativa de ajudar a levantar dinheiro para o Japão, depois dos trágicos acontecimentos do terremoto, em 11 de março de 2011.

 

Quem é o Arques coreógrafo? O que deseja encontrar no corpo do bailarino?

Eu me descreveria como um coreógrafo que mistura tradições clássicas com as influências que acumulei durante a minha vida e a minha carreira. Essas influências incluem dança, arte (clássica e moderna), novas mídias, períodos históricos e seus ideais, mitologia, literatura, arquitetura, escultura. Em minhas obras tento procurar beleza, quebrando a perfeição da linguagem clássica com foco cada vez menor sobre as medidas superficiais e decorativas, permitindo-me criar outros movimentos, os quais refletem mais sobre as experiências humanas reais. Gosto de trabalhar com pessoas criativas que me dão feedback e desafiam o meu trabalho, pessoas que querem explorar o movimento e não querem apenas reproduzir o que é dito.               

                                                                                                                               

                                                                                          Foto: Tycho Hupperts

                                                   Consequence foi sua peça criada

                                                   para o Het National Ballet

 

 

O que te inspirou nesta obra?

Foi o conceito filosófico de sublime para noções contemporâneas. Escritores românticos da época do filósofo Kant (1724-1804), por exemplo, acreditavam que a natureza inspirava admiração e um sentimento de sublime, a ideia de que natureza era maior e mais significativa do que qualquer forma de criação ou compreensão. Ao lado disso, me inspirei nos fenômenos naturais, como o desastre que aconteceu no Japão, no início de 2011. Estes acontecimentos têm mudado a forma como as pessoas coletivamente olham para si, para o mundo natural e também para o mundo tecnológico, questionando seu senso de controle e segurança, confrontado com a indiferença, o poder e os caóticos femômenos da natureza.

 

A cena que antecede a coreografia é um vídeo em que os bailarinos dançam com a água. Isto chama atenção da plateia e contrasta com a obra, em que não se vê, mas se imagina a água. Por que você optou por esse tipo de imagem?

Depois que a coreografia já estava pronta, Altin Kaftira, que estava encarregado de fazer todos os vídeos para novas criações da noite propôs esta ideia. A água é uma referência ao tsunami que ocorreu no Japão e o resultado foi uma mistura das duas abordagens. Achei muito interessante e atraente de se olhar.

 

 

 

 

 

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