A dança persistente de Larissa Saveliev

Texto originalmente publicado na Revista de Dança


O que ela é? “Só quero oferecer oportunidades para que os bailarinos possam sobreviver de dança trabalhando em companhias que se encaixem com o seu perfil”, diz. Larissa é o grande nome por de trás do Youth America Grand Prix, a maior competição de estudantes de dança do mundo, que tem no Brasil, na próxima semana, em Santos, uma de suas regionais – Youth America Grand Prix Brasil – organizada pelo Instituto Passo de Arte. Em entrevista à Revista de Dança, Larissa revela um pouco mais sobre a criação e também os rumos, desta que é hoje a competição mais desejada pelos bailarinos brasileiros no exterior.

Fotos: Siggul | Visual Arts Masters, 2012

Yeojin shim, 11 anos, da Korea, na final

Foto: Siggul | Visual Arts Masters, 2012

Final conjunto 2012, Dimitri Kuleve Classical Ballet


Quem é a Larissa Saveliev?

Larissa: (risos). Uma apaixonada pela dança. Fui bailarina do Ballet Bolhsoi, dancei no mundo todo e, quando me mudei para os Estados Unidos, comecei a olhar a dança de outro modo. Passei a ser professora, coreógrafa e também a me questionar para onde os talentos iam depois de formados. Pesquisei todas as vertentes, inclusive jazz dance e sapateado. Em 1990, criei o Youth America Grand Prix, que é hoje a maior competição de balé do mundo, pensando que os jovens talentos precisam ter mais espaço no cenário da dança para se tornarem grandes bailarinos. Desta forma precisam de oportunidades.Os brasileiros têm sido

uma grande parcela dos seus competidores.

Larissa: Os brasileiros são muito talentosos.

Gostaria que eles tivessem mais persistência e disciplina porque com certeza eles teriam mais êxito. Se mudassem a mentalidade, saberiam que podem mais. É um crime não usar o seu talento.


E você criou esse evento para dar oportunidade aos bailarinos de serem vistos por grandes companhias?

Larissa: A competição é voltada a jovens de 9 a 19 anos. Começou pequena porque as pessoas não conheciam e também não acreditavam. Mas, em pouco tempo, se tornou um fenômeno, um sucesso. Aprendi a organizar, organizando. Conheço muita gente, tenho muitos amigos em diversas companhias e eles foram me apoiando e passaram a olhar para o YAGP como uma porta que revela jovens talentos. Com o tempo, foram aparecendo vagas para estágios e contratos em diferentes companhias.

Hoje as maiores e mais importantes companhias do mundo enviam seus representantes para “olhar” estes talentos.

Larissa: Sim. Hoje os vencedores do YAGP estão em companhias como American Ballet Theatre, Berlin State Opera, Boston Ballet, The Royal Ballet, Miami City Ballet, Sttutgart Ballet, entre outras. Sem contar os que foram fazer musicais na Broadway e integram elencos do Cirque du Soleil. Nosso evento é o único no mundo em que os diretores escolhem para onde os alunos vão. E depois não abandonamos estas pessoas, acompanhamos o seu desenvolvimento para ver se dá tudo certo.

Porque algumas vezes não dão certo. É isso?

Larissa: Sim. Algumas vezes eles não se adaptam ao clima, à língua, à escola normal. Tentamos mesclar tudo, encontrar a melhor companhia, o melhor caminho, ajudar a encontrar lugar para morar. Quando vemos que não dá certo, tentamos outras opções. Mesmo assim, eu continuo acreditando naquele bailarino e faço o possível para colocá-lo em outro lugar.


Somos preguiçosos?

Larissa: Não. Apenas precisam ser mais persistentes e acreditarem que podem, porque podem.

O YAGP foi tema recente do documentário First position, da Bess Kargman. Como foi para você ver essa história em movimento nas telas do cinema?

Larissa: Fiquei muito feliz porque com ele a audiência para dança cresce. Com o filme, as pessoas podem entender mais os bastidores e compreenderem como é difícil e, ao mesmo tempo, prazerosa a vida do bailarino porque sempre tem que ter as coisas certas, para o momento certo. Peso, fluência, movimento, perfil, pesquisa. Horas e horas para que o trabalho seja construído. O bailarino é, ao mesmo tempo, um ator e um atleta. O sucesso do filme, os prêmios e a forma como as pessoas estão se identificando com as histórias foram para mim uma surpresa.

Você respira dança, mas o que gosta de assistir?

Larissa: Eu sou super aberta, adoro ver tudo, mas em dança, particularmente, gosto de Alexei Ratmansky, Benjamin Millepied e por aí vai….

Foto: Revista de Dança

Foto: Siggul | Visual Arts Masters, 2012

Larissa Saveliev Yeojin shim, 11 anos, da Korea, na final






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