Dia Internacional do Sapateado

No Dia Internacional do Sapateado conversamos com 10 personalidades desta arte. Confiram. Se você nunca ouviu falar em Bill Bojangles Robinson (1878-1949) pare esse texto agora e clique nesse vídeo abaixo para ver quem foi esse grande sapateador que mudou os rumos do sapateado mundial. Sua história vai muito além daquele artista negro que dançou com Shirley Temple (1928-2014) no filme The Little Colonel. É e foi por conta dele que no dia 25 de maio, hoje, comemoramos o Dia Internacional do Sapateado. Um dia e tanto!

Bojangles, como ficou conhecido, foi o responsável por levar o sapateado para a meia-ponta (sim, antes ele era dançado somente com o pé inteiro no chão). Ele também trouxe limpeza, clareza de execução e lutou muito pela legitimação desta arte. A data de 25 de maio, que é o dia do seu aniversário foi oficializada como o Dia Internacional do Sapateado graças a uma Lei americana oficializada no dia 7 de novembro de 1989 pelo então presidente George Bush.

O pedido foi organizado pelo Tap America Project por outros três grandes nomes: Nicola Daval, Carol Vaughn e Linda Christensen e desde então é comemorado em todo o mundo. Curiosidade que muitos talvez não saibam, é que aqui no Brasil, precisamente no Estado de São Paulo, também temos uma Lei (nº 14347/07)que reconhece o Dia Internacional do Sapateado. Ela foi aprovada em 2007 por meio dos esforços da sapateadora Christiane Matallo – uma artista Só Dança. “É extremamente importante que a classe e a comunidade do tap dance sejam reconhecidas e que tenham uma organização tanto artística, quanto política e educacional. O tap no Brasil vem crescendo devido à luta, dedicação e seriedade de muitos profissionais. A ideia é que a Lei seja Estadual e Federal, e que, por meio dela, os artistas envolvidos com esta forma de arte se beneficiem e possam ampliar e fomentar projetos com mais pessoas dentro do Brasil”, fala Christiane Matallo (foto de abertura), que recentemente assinou o tap dance do musical Cantando na Chuva, no Brasil e é reconhecida internacionalmente – pelo jornal New York Times – como a Carmen Miranda do sapateado.

Ana Paula Veneziani A sapateadora Ana Paula Veneziani (foto ao lado), professora do Ballet Ana Araújo, de São José dos Campos, salienta que a comemoração deste dia (25 de maio) é de fundamental importância pois é uma “forma de compartilhar um pouco da história do sapateado, contando para os alunos fatos relevantes e valorizando os ícones dessa arte”. Para Felipe Galganni, radicado em Nova York, que assina o sapateado do musical Os Produtores, no Brasil, “é muito importante lembrar e reconhecer o trabalho dos artistas e coreógrafos que vieram antes da gente, que plantaram as sementes que continuamos a desenvolver hoje”. “Bojangles foi um ícone do sapateado. Ultrapassou preconceitos e se lançou no cinema”, relembra Valéria Pinheiro, da Cia. Vatá, de Fortaleza. Melissa Tannús, sapateadora brasileira integrante das Syncopated Ladies, em Los Angeles, diz que “é por causa de sapateadores como Bojangles e vários outros que vieram antes de nós e lutaram muito contra a escravidão, a segregação racial, a falta de emprego e a falta de reconhecimento, que podemos sapatear hoje. É nosso dever defender, difundir e cuidar dessa arte que amamos tanto para que ela ainda permaneça por muitos anos”. Assim como todas as manifestações artísticas, se olharmos o sapateado de vinte ou dez anos atrás, ele será diferente do que se faz hoje. “O sapateado teve um crescimento técnico muito grande na última década no Brasil devido ao acesso e intercâmbio de informações cada vez mais intenso juntamente ao grande esforço da nossa comunidade sapateadora brasileira. Vejo que as oportunidades, cada vez maiores, para sapateadores no mundo dos musicais, por exemplo, ajuda a fomentar o interesse e procura por cursos de sapateado, o que acaba gerando uma disseminação maior dessa arte. Porém, ainda não é suficiente e precisamos torná-lo mais conhecido. O sapateado, como arte expressiva e dança percussiva, tem muito ainda que encantar e se relacionar com o público desse país”, comenta Ana Carolina Tomioshi (foto ao lado), sapateadora e professora da Sheila’s Ballet, em Sorocaba. CRESCIMENTO | No Brasil, na última década, são muitos os eventos segmentados de sapateado, como o Brasil International Tap Festival e o Sapateia São Paulo, de Christiane Matallo; a Semana do Tap, do Uai Q Dança; o Tap in Rio, de Steven Harper; o Floripa Tap, de Marina Coura, o Encontro de Ritmos, o Sampa Tapz, entre outros. Temos inclusive companhias de sapateado como a KS e os Katados Por Aí, a New Generation, entre outras. “A formação da KS surgiu num momento em que a crítica de dança Suzana Braga, me pediu uma companhia de sapateado para um evento e imediatamente reuni os talentos oriundos de vários lugares do interior de São Paulo e outros Estados para a apresentação. Os Katados por Aí, nasceu de um pedido feito pela Marisa Piveta para montar um musical com crianças e hoje tenho um grupo experimental que nasceu da necessidade de preparar jovens de 12 a 15 anos para o desafio de estar numa companhia. Minha intenção é dar oportunidade para jovens sapateadores e coreógrafos mostrarem seu talento. Assim consigo realizar um trabalho diversificado dentro de um só pensamento”, conta Kika Sampaio, premiada com o Bibi Ferreira pelo seu trabalho coreográfico em New York, New York.

“Eu fico impressionada com o crescimento do sapateado no Brasil e no mundo nos últimos anos. Há 10 anos existiam pouquíssimos festivais de sapateado, raras oportunidades de trabalho, pouco espaço e reconhecimento nos festivais de dança. Hoje existem oportunidades para sapateadores em companhias, cruzeiros, musicais. Os festivais de dança estão aos poucos respeitando mais o sapateado ao retirarem o linóleo e microfonarem o palco. E graças à internet os sapateadores do mundo todo estão cada vez mais conectados entre si”, acredita Melissa. “O grande número de eventos de sapateado pelo Brasil, sendo festivais, cursos, palestras e mostras com diversos profissionais da área e os eventos competitivos nos possibilitam ter visibilidade de diversos trabalhos, cada um com seu estilo e particularidade. Com a volta dos musicais e o retorno do sapateado aos palcos, percebe-se nitidamente o interesse do público e a abertura de mais oportunidades de trabalho para todos os profissionais envolvidos neste gênero”, completa Ana Paula. Diretor artístico do Tap in Rio, ao lado de Adriana Salomão, Steven Harper (foto ao lado) acredita num futuro brilhante para o sapateado no Brasil, e pontua o sapateado nos musicais como uma forma colaborativa e não determinante para esse desenvolvimento. “A onda dos musicais ajuda, mas não acho que foi determinante nesse crescimento. A grande maioria dos musicais não usam sapateado como ferramenta artística. Não há musicais, exceto Bring in The Funk, Bring in the Noise, que emprega sapateadores propriamente dito.

Quando há sapateado, procura-se atores, bailarinos e cantores que tem noções de sapateado. Então, são uma vitrine para o sapateado, mas não é um fator central no desenvolvimento dele”. Kika Sampaio concorda. “Não acho que o sapateado americano cresceu no Brasil e no mundo pelos musicais! O que houve foi uma transformação muito rápida de comunicação e com isso tudo ficou mais acessível e fácil. Os musicais de hoje em dia são remontagens dos anos 30 e 40 e são tão geniais que nos aproximam mais do sonho de dançar”, completa.

Marina Coura, sapateadora e diretora artística do Floripa Tap, acredita que além de um crescimento de estilo e técnico o sapateado cresceu como mercado cultural, pois hoje ele tem plateias segmentadas que acompanham os espetáculos. No Floripa Tap, o público chega a 4.000 pessoas em 5 dias de festival. “Ainda temos muito por fazer nacionalmente, criar mercado cultural, levar o sapateado para quem não sapateia, mas o mais importante é que vejo crescimento e vejo vontade nos olhares das atuais gerações e das gerações futuras para lutarem por isso”, afirma Marina.

Segundo Christiane Matallo, até 1980, tínhamos que lutar muito para ter qualquer tipo de informação. “Eu iniciei meus estudos em dança na década de 70 e a partir dos 13 anos comecei a estudar em Nova York. O que realmente me fez crescer, foi o conjunto da obra, passar por uma universidade de dança, fazer pós-graduação e pesquisar. E eu pesquiso até hoje. O mais importante é fazer sua história, buscar conhecimento com pessoas que sejam bons profissionais. Hoje temos a tecnologia, mas ela não é suficiente para trazer tudo que um artista precisa, mas sim, parte das suas ferramentas”, acredita. “Meu conselho é o de nunca parar, sempre seguir em frente e sempre pesquisar para essa arte seja ainda mais valorizada hoje, dia 25 de maio, e sempre”. PERGUNTAMOS A 10 PROFISSIONAIS DO SAPATEADO: O QUE ESSA ARTE SIGNIFICA NA SUA VIDA? CONFIRA AS RESPOSTAS ABAIXO:

CHRIS MATALLO

“Tap é pulso, vida, cosmo, alegria, comunicação, compartilhamento, uma filosofia de vida, da qual vivo. Aprendo cada vez mais que ser sapateador é ser um sacerdote e doar energia! É a arte que traduz amor por meio do movimento e som!”.

KIKA SAMPAIO “Meu primeiro contato com o sapateado americano foi aos 17 anos. De lá pra cá nunca mais parei. Hoje aos 62 anos ainda continuo. A resposta para essa pergunta é minha vida profissional inteira. Fiz e faço em algo que sempre acreditei que iria dar certo”.

VALERIA PINHEIRO “Sou apaixonada pelos sapateios brasileiros, um agente importante na identidade e que sedimenta nossas origens. Sou filha de um grande mestre de reisado, e dele herdei a paixão pelos trupés ou sapateios. Conheço pouco o tap dancing americano, mas venho por quase 40 anos pesquisando ritmos e sapateios brasileiros e mesclando essas origens ao tap. Nesse contexto, é minha voz”.

ANA PAULA VENEZIANI

“O sapateado faz parte da minha vida desde os 8 anos de idade e quando coloquei o sapato pela primeira vez, fiquei encantada com a possibilidade de fazer sons com os próprios pés. Sapatear significa dar vida às emoções por meio do som e dos movimentos, sentir a vibração de cada passo, ouvir a música e me expressar. A dança é minha vida e foi através dela e principalmente do sapateado que me tornei a artista, a profissional, a mãe e a cidadã que sou”. ANA CAROLINA TOMIOSHI “Eu amo dançar porque a dança é a expressão de quem eu sou e do que sinto. Para mim, o sapateado é uma arte completa que combina a minha musicalidade interior com o resto do meu corpo. É meu jeito preferido de dizer algo e minha melhor forma de comunicação com o mundo exterior”.

MELISSA TANNÚS “O sapateado é a minha vida. Desde que me entendo por gente, me dedico de corpo e alma ao sapateado, e foi através dele que eu fui construindo minha vida. É o meu trabalho, meu hobby, minha diversão, minha faculdade, minha terapia, minha grande paixão, é o meu primeiro e último pensamento do dia e é o que faz eu levantar da cama com um sorriso no rosto todos os dias, me sentindo a pessoa mais sortuda do mundo por poder viver fazendo o que eu amo”.

STEVEN HARPER

“Me apaixonei por ele. Como toda paixão. Não há muita explicação. Ele me fez bem, me tratou bem, desde sempre. Gosto de fazer, de ensinar. Minha carreira foi norteada por ele”.

MARINA COURA

“É a minha mais livre e verdadeira forma de comunicação. O sapateado é minha vida”.

SAMUEL FAEZ “O sapateado está presente em cada aspecto da minha vida, me trouxe autoconfiança, determinação e propósito. É meu trabalho e meu deleite, obrigação e satisfação, dever e prazer”.

FELIPE GALGANNI “O sapateado é a ferramenta que eu encontrei para expressar minhas ideias artísticas, minha visão de mundo”.

Texto publicado originalmente no Blog da Só Dança em 25 de maio de 2019

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