MIT-SP tem dança no teatro


Mostra Internacional de Teatro acontece de 14 a 24 de março e traz destaques de dança e performance na programação A sexta edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, dividida em quatro diferentes e complementares eixos — Mostra de Espetáculos, MITbr-Plataforma Brasil, Ações Pedagógicas e Olhares Críticos — acontecerá de 14 a 24 de março, em diversos espaços de São Paulo. Na programação, artistas de vários países como Bélgica, Brasil, Chile, Congo, Itália, Reino Unido e Suíça apresentam os seus trabalhos. Para saber a programação completa e os valores dos ingressos confira tudo no site da MITsp (www.mitsp.org) e não perca nada. Para dança, o evento também conta com diversas atividades que incluem uma roda de conversa, uma entrevista pública, uma ação performática e uma oficina. E o melhor dessa parte é que elas são gratuitas.

Protocolo Elefante – Cristiano Prim Esta edição da Mostra consolida a MITbr – Plataforma Brasil, um programa lançado em 2018, que visa a internacionalização das artes cênicas brasileiras e dá destaque para grupos e artistas da dança nacional, que são convidados para se apresentarem para programadores de festivais nacionais e internacionais. Com curadoria de Felipe de Assis, Sonia Sobral e Welington Andrade, a iniciativa reforça esse passo importante para a expansão do reconhecimento das artes cênicas brasileira no cenário internacional, fomentando sua circulação e visibilidade.

O eixo terá como artista nacional em foco a coreógrafa e bailarina Marta Soares, que apresentará “Vestígios”. Com mais de 20 anos de carreira, ela é vencedora de quatro prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A obra tem como característica a interseção entre as linguagens da performance, videoinstalação e dança. Marta usa como ponto de partida a pesquisa sobre o monumental e o sagrado dos sambaquis, sítios indígenas pré-históricos encontrados no litoral do Brasil.

O trabalho se baseia no método desenvolvido pelo artista Robert Smithson sobre a relação entre o “lugar” e o “não lugar” (o “lugar’ sendo a realidade crua e física, a terra ou o chão e o “não lugar” sendo a galeria ou o estúdio para o qual ele transferia o material encontrado no “lugar’ durante o processo de criação de suas obras). Além do espetáculo, Marta participa de outras duas atividades: Ação Performática (leia mais abaixo) e Entrevista Pública. No dia 18 de março, das 19h às 21h, no Itaú Cultural (Sala Vermelha), ela conversa com a professora e pesquisadora Ana Bernstein e o jornalista de cultura Luiz Felipe Reis. Vale lembrar que Ana Bernstein é doutora em Estudos da Performance pela New York University, pesquisadora e professora de História da Arte, Estética e Teoria do Teatro e Estudos da Performance. Tem experiência na área de artes, e trabalha com temas como: corpo e arte, teoria da performance, performance, estudos de gênero, artes visuais, teatro brasileiro e crítica teatral.

Outro destaque é a estreia nacional do novo trabalho de Wagner Schwartz. A partir do quadro A Boba, (1915-1916) de Anita Malfatti ele criou seu trabalho de mesmo nome. A obra de Malfatti teve uma dura repercussão crítica no Brasil quando foi apresentada pela primeira vez. Neste novo trabalho, Schwartz discute o sentimento de liberdade, e como ela tem sido colocada em xeque no país e no mundo. Para tanto, coloca em cena o próprio corpo – um volume que ultrapassa sua própria existência. Schwartz percebe no quadro as cores da bandeira nacional e a partir dessa constatação, vê confrontado com a ideia de “nação”. O espetáculo é uma coprodução entre a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) e a Corpo Rastreado. Você pode conferir “A Boba” no Teatro Cacilda Becker, no dia 17 de março, às 20h, e nos dias 18, 19 e 20 de março, às 21h. A censura é livre.

Outro espetáculo que a MITbr – Plataforma Brasil apostou foi “Cria”, do Grupo Suave, do Rio de Janeiro. Com dez dançarinos em cena, a coreógrafa e diretora Alice Ripoll, fala sobre ser cria de um local e uma família, sobre criação artística e também sobre ter a própria “cria”. O espetáculo mescla o virtuosismo do passinho e o questionamento e a teatralidade da dança contemporânea. Uma mistura de estilos alcançada em mais de um ano de pesquisa capaz de expressar a ginga da dança nascida nas favelas. O trabalho passeia pela dança afro, o afrofunk, o passinho, a dancinha, o contato-improvisação e ainda por uma elaborada pesquisa sonora. “Cria” fala, acima de tudo, da busca pela força criadora que mantém o desejo de estar vivo, em movimento. O Grupo Suave sobe ao palco do Teatro Sérgio Cardoso, no dia 23 de março, às 17h.

Alejandro Ahmed, do tradicional Cena 11, de Florianópolis, traz ao Teatro Sesi SP – Centro Cultural Fiesp, no 23 de março, às 20h, e 24 de março, às 19h, “Protocolo Elefante”, que investiga na ação de afastamento e isolamento do elefante uma metáfora de separação e exílio. Um questionamento sobre o modo como fatores contidos no ambiente ao qual pertencemos (pessoas, comportamentos, línguas, afetos, objetos e dispositivos relacionais de convívio) são afetados quando migramos a sós para um contexto distante destas familiaridades. A obra discute questões como: O que é pertencer? Qual é a nossa definição de identidade?

CRIA – Renato Mangolin AÇÕES PEDAGÓGICAS Todas gratuitas, as ações pedagógicas são divididas em três segmentos. A coreógrafa Marta Soares, faz sua ação performática, “Do ‘lugar’ ao ‘não lugar’”, de 7 a 9 de março (qui. e sex. das 10h às 18h e sáb. das 14h às 18h) na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Sua proposta é investigar alguns dos procedimentos utilizados na pesquisa e criação das instalações coreográficas “Vestígios” e “O Banho”, apresentadas na MITbr.

No dia 21 de março acontece a oficina “Dramaturgias do Movimento: Percepção Física e Composição Generativa”, com Alejandro Ahmed e a Roda de Conversa: “Metamorfose do Corpo como Prática Decolonial”, com Bruce Baird (Estados Unidos) e Christine Greiner. A oficina acontece das 9h às 13h, na Galeria Olido.

Transitando por técnicas que guiam os atuais interesses estéticos do Grupo Cena 11, na primeira parte, são explorados exercícios que apresentam diferentes modos de lidar com o peso do próprio corpo como matéria de produção da movimentação e a segunda parte se utiliza dos mesmos parâmetros em ações coletivas, tomando como partida algumas cenas das últimas produções da companhia.

Na sequência, das 14h às 16h, a roda de conversa versa sobre o butô, uma experiência radical do corpo concebida no final dos anos 1950, em Tóquio, pelo dançarino Tatsumi Hijikata e reinventada por artistas como Kazuo Ohno e Min Tanaka, entre outros. O estadunidense Bruce Baird, pesquisador da University of Massachusetts Amherst, responsável pela edição do livro The Routledge Companion to Butoh Performance, falará sobre a diáspora do butô e conversará com a brasileira Christine Greiner, professora da PUC-SP, sobre o viés político desta arte.

Texto originalmente publicado por só dança 11 novembro 2019

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