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Cores de Movimento

November 10, 2007

 

Cores de Movimento 

Tendo a dança e a música como principais elementos da cena, “Pincel do Som”, que estréia hoje, às 20h, no Sesc Piracicaba, se configura no cenário da arte contemporânea e conceitual como um trabalho multidisciplinar. Não por simplesmente colocar duas bailarinas (Christiane Matallo e Marcela Benvegnu), um músico (Gilberto de Syllos) e um instrumento de cordas (Rabecão da Silva) no palco, mas sim por não fazer distinções entre estas funções, que dependem umas das outras para a total realização da montagem. Durante a apresentação, o artista plástico Chico Coelho compõe uma obra que será doada à Casa do Bom Menino. A entrada é gratuita. 

No espetáculo, o movimento dos intérpretes é ativado pela idéia de “ser” um pincel, que a todo tempo pinta um novo espaço e que consequentemente gera sons. Desta forma, o trabalho se transforma a cada uma das cenas e remete às sensações e vivências dos próprios artistas. “‘Pincel do Som’ rompe em alguns momentos com técnicas de dança pré-estabelecidas e permite que novos caminhos e possibilidades de movimento sejam encontradas, sem que os intérpretes se prendam a uma única corrente estética”, fala Christiane. 

 

Por mais pesquisas e novas possibilidades de movimento que as bailarinas realizem, elas sempre carregarão em seus corpos marcas de suas próprias vivências, pois não há como desgrudá-las da própria carne. Na contramão desta concepção, o instrumentista — bailarino não profissional — encontrou com facilidade caminhos para realizar sua dança. “É a idéia do corpo sem registro”, fala Marcela. “Aquele corpo que não foi contaminado por nenhuma escola ou forma de movimento. É dele que saem as mais puras formas de dança.” 

No trabalho, os corpos se desdobram, alcançam posições e formas não convencionais aliadas ao instrumento. O movimento é a música. E a música é o próprio movimento dos corpos. “Nossa grande questão é saber como e qual é o pincel do som de cada um”, fala Christiane, que assina a direção de movimento. “O trabalho fala de relações, quebra de padrões, identidade, aceitação. Não optamos pelo convencional, pelo que o nosso corpo já sabe fazer. Nossa meta foi descobrir novas formas de fazer dança”, diz Marcela. 

“Pincel do Som” será apresentado como trabalho convidado em mostras e festivais na América do Norte no segundo semestre. Diversas cidades da Europa — como Holanda, Alemanha e Bélgica — recebem o espetáculo para uma turnê em janeiro de 2009. 

MÚSICA DE PINCEL - Um dos pontos altos da concepção é a trilha sonora, na qual fica nítida a participação efetiva dos intérpretes. “A música foi composta especialmente para o trabalho e criada de uma maneira espontânea e intuitiva, usando o contrabaixo acústico, o piano preparado e mais de 150 pincéis de diversos artistas plásticos”, revela De Syllos, que assina a trilha ao lado de Christiane. “Separei esses pincéis em famílias e cada uma possui um timbre diferente. Alguns têm cerdas maiores, outros são mais leves e menores, outros apresentam som de gota. Cada um tem sua particularidade e importância”, aponta o contrabaixista. De Syllos ressalta que no trabalho o intérprete da dança vira compositor da própria trilha e o músico da obra, intérprete do corpo. “Ambos usam o pincel como fio condutor para suas linguagens”, completa De Syllos. 

 

Parte da música do espetáculo é executada ao vivo pelos intérpretes, que usam como elementos pincéis e quilos de arroz cru. “Assim como os corpos, os pincéis têm suas histórias e evocam a memória das obras que um dia configuraram e que hoje ganharam novos espaços. Por isso fizemos questão de que todos os pincéis fossem doados por artistas plásticos e que eles assinassem seus nomes neles”, conta Marcela. “Os pincéis são de artistas plásticos piracicabanos e a cada apresentação, cidade e país que formos passando nosso acervo de pincéis irá crescer”, revela Christiane. “Em alguns momentos eles até dançam, se tornam extensões do nosso corpo.”

 

Marcela conta que o arroz tem uma sonoridade própria e que isso também condiz com a linha do espetáculo. “O arroz tem uma ampla simbologia. Todos comem arroz, independente de classe social; ele está presente em todas as culturas, oriental e ocidental; figura em comemorações como batismo e casamentos e possui várias outras denominações”, diz. “Na simbologia das artes, os grãos significam a matéria. Levamos isso para o espetáculo como o resultado da obra, da criação, que depois é consumida por alguém”, completa Marcela. 

“Pincel do Som” tem duração de 50 minutos. Após a apresentação o público é convidado a participar de um bate-papo com os artistas. 

 

atéria publicada na capa do Caderno Fim de Semana do Jornal de Piracicaba no dia 28 de março de 2008. 

 

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