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Marcela benvegnu pós-graduação

July 29, 2020

 

Texto de Marcela Benvegnu
Como já escrevi anteriormente, o tema da minha pós-graduação em Estudos Contemporâneos em Dança na Universidade Federal da Bahia é o jazz dance. Mas de onde ele vem? Como é a sua história? 
Tanto a música quando a dança conhecida com o nome de jazz é resultado de uma fusão de influências e relações que prosperaram nos territórios americanos a partir do século 18. Suas raízes estão diretamente ligadas ao coração da África onde a manifestação não era apenas um espetáculo, mas sim uma forma de diversão. 


Considerada uma manifestação unicamente própria de escravos negros das grandes plantações de algodão e tabaco, a cultura do jazz reflete influências de diversas índoles. Por uma parte se apreciam ritmos e bailes africanos que duraram muito na consciência coletiva dos negros, por outro lado estavam as manifestações de origem religiosa onde ritmos e etnias diferentes tinham em comum o mesmo ritual: dançavam para a chuva, para pedir fecundidade, para celebrar nascimentos. Suas influências estão obviamente na cultura negra e suas características mais marcantes e visíveis inspiradas nas danças africanas. 


As danças serviam como suporte de narração de aventuras fabulosas e sucessos cotidianos próprios de sociedades que desconheciam o uso da escrita. (Nesse sentido, essas danças duraram mais nos territórios americanos do que em outros países que também sofreram uma invasão massiva de escravos como as Antilhas e o Brasil, que depois aderiu ao mambo, cha-cha-cha, conga, merengue e samba como linguagem). 


Em outra parte, fruto do interesse dos brancos por liquidar os ritos e formas folclóricas, os negros só tiveram recursos para expandir os seus costumes religiosos a partir do surgimento do cristianismo protestante dos brancos que foram se convertendo em expressões próprias e particulares. Essas cerimônias surgiram como uma forma de musicais, que foram muito importantes nos Estados Unidos, onde o canto acompanhava os movimentos rítmicos. 
Paralelamente a isso, os negros criaram outras formas de manifestação como os blues ballads e também as work songs (que eram as músicas criadas no trabalho), que cantavam em coro sempre regidos por um mestre. 


Uma outra grande influência nas manifestações de origem negra veio direto da música e da dança branca, mais propriamente da música popular de raiz européia. Assim, pelo que parece claro a influência se deu por via de imitação, as polcas, quadrilhas, marchas, danças irlandesas, bailes ingleses como o clog, começaram a se misturar com danças autônomas para dar lugar ao que conhecemos como jazz. 
Se bem que foram os negros que entretiam seus amos que elevaram as mudanças da dança africana transformando-a em jazz, mas foram os brancos que começaram a dançá-la primeiro em lugares abertos. 


Desde o começo do século 19, quando alguns grupos de bailarinos irlandeses começaram a atuar no país, as danças dos negros eram interpretadas por brancos, que por muitas vezes pintavam suas faces de negro para parodiar, cantar e dançar como tais. 
Este cenário mudou completamente com a emancipação dos escravos, acordo firmado por Abraham Lincoln no dia primeiro de janeiro de 1863: a dança e o canto dos bailes dos escravos negros agora poderiam sair de lugares restritos e irem para os públicos. Logo, essa dança que começou a tomar conta dos palcos era de negros e brancos e esse momento teve uma influência decisiva na Comédia Musical, que nada mais era do que os primeiros passos do que hoje conhecemos como jazz. 


O jazz dance é híbrido, nascido de uma multiplicidade de formas de espetáculos anteriores, é caracterizado pelo swing, por movimentos sincopados e pela polirritmia, que é a combinação dos movimentos do corpo em vários ritmos ao mesmo tempo.

 
Hoje, ele vem sofrendo uma perda de referenciais, os grandes nomes brasileiros que “ontem” dominavam o estilo hoje enveredaram para a dança contemporânea, muitos coreógrafos sofrem carência de atualização de linguagem e estilo.

Nos festivais ainda vemos alguns trabalhos que podemos chamar de “jazz dance” e outros que mesmo inseridos nessa categoria não apresentam as principais características da dança. 
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Marcela Benvegnu é bailarina, jornalista, aluna de pós-graduação da UFBa (Universidade Federal da Bahia) e escreve às terças-feiras no TodoDia.
(retirado do site : http://www.conexaodanca.art.br/imagens/textos/artigos/De%20onde%20vem%20o%20jazz%20dance.htm 

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