Adeus China

Adeus, China | Capa do livro

Há pouco mais de dois anos, o Jornal de Piracicaba fez uma promoção para seus leitores. Não lembro ao certo como funcionava, mas sei que, se os leitores renovassem sua assinatura, ganhavam um livro da Editora Fundamento. Na época eu era sub-editora do caderno de Cultura e deveria escrever a crítica de um livro da promoção para compor a matéria do lançamento. Para minha surpresa um dos livros era Adeus, China - O Último Bailarino de Mao, de Li Cunxin, que foi um dos mais bonitos livros biográficos de um bailarino que já li. A crítica publicada na época (junho de 2008) pode ser lida aqui.

Li com o uniforme da escola de Mao

Poucos meses depois, em 8 de janeiro de 2009, quando soube que a história ganharia versão cinematográfica, eu o entrevistei. Hoje faria perguntas completamente diferentes, mas senti uma grande satisfação e alegria quando recebi as respostas. Sua história ainda estava em minha memória e eu queria publicá-las em um momento especial. Esperei o lançamento do filme no Brasil, nunca aconteceu, depois esperei o aniversário do meu blog, o Tudo É Dança, mas, com a correria da vida, a data passou e eu não traduzi a entrevista. Nunca um texto meu demorou tanto tempo para ser publicado, talvez porque a hora certa e especial dele ganhar voz seja realmente esta. Espero que gostem.

Sua história de vida ganhou as páginas de um livro no qual as pessoas conseguem se reconhecer pelas dificuldades em superar desafios. Como foi dividir essas memórias?

Li com a mãe e os irmãos

Cunxin: Um grande amigo, que também é escritor, me encorajou a escrever depois que contei para ele algumas coisas que vivi. Suas palavras eram: “Li, sua história irá inspirar as pessoas, dará conforto e coragem para que todos possam enfrentar os desafios da vida”. E foi por este motivo que escrevi o livro, para inspirar e motivar outros a ter coragem de atingir o melhor que a vida pode lhes dar. Demorei 12 meses para entregar o manuscrito original que tinha mais de 680 mil palavras, e eu o escrevi em inglês. A edição demorou dois anos, mas valeu a pena. Ao lado de dois editores maravilhosos da Penguin Australia publicamos Adeus, China com 160 mil palavras.

Contar sua história foi um processo doloroso?

Li ensaiando na Escola de Pequim

Cunxin: Foi um pouco difícil sim viajar na minha própria história para poder escrevê-la. Reviver as minhas experiências, em alguns momentos, foi muito triste, especialmente quando tive que contar a minha infância na China. As memórias de quando passávamos fome, a falta de dinheiro, a exigência dos meus pais, a escola. Apesar disso, jamais imaginei que o livro fosse virar um best-seller tão rapidamente. Tenho orgulho de que a minha história possa inspirar pessoas do mundo todo a acreditar no sonho que lhes parece impossível.

Li em um balé político em 1977

Ser escolhido entre centenas de crianças para ir à escola de dança de Pequim foi a sua chance de poder estudar e se alimentar. A paixão pela dança foi uma fuga e ao mesmo tempo solução.

Cunxin: Como você sabe, a minha paixão pela dança não começou naturalmente. Foi gradual e muito amparada pela admiração que eu tinha pelo meu professor. O desejo de ajudar a minha família, e fazê-los terem orgulho de mim, obrigava-me diariamente a ser melhor do que no dia anterior. Com o tempo, encontrei a paixão pela dança que foi muito forte e desafiadora. Essa paixão me fez trabalhar arduamente para que eu me tornasse o melhor que eu poderia ser. A dança para mim é como o ar, a água, os nutrientes da vida que são bonitos e essenciais.

Em A Bela Adormecida O que te faltava naquele tempo? Você tinha saudade de alguém ou de alguma coisa? Cunxin: Enquanto eu estava em Pequim, sentia muita falta da minha mãe. Sentia saudade do seu amor e ficava muito preocupado com ela. Eu achava que poderia levar uma comida melhor para ela se estivesse na escola, porém estávamos a muitas milhas de distância. E eu desejava mais do que qualquer coisa que um dia eu teria força e meios para mudar a vida dela para melhor.

O que sentiu quando seus pais saíram da China para irem aos Estados Unidos vê-lo dançar pela primeira vez?

Li com Bárbara Bush Cunxin: Esse foi o momento mais importante da minha carreira inteira. Eu já tinha feito mais de duas mil performances no mundo todo, dançado nos mais prestigiados teatros na frente de presidentes, primeiros ministros e ganhado bastante dinheiro, mas dançar aquele espetáculo na frente deles foi um momento de pura magia. Eu não sentia o ar. O tempo foi suspenso e eu estava em glória.

Neste ano (2009) Adeus, China ganhará as telas do cinema.

Li e Mary (sua esposa) em O Quebra Nozes Cunxin: Confesso que ainda parece um sonho. Como pode ser possível que um garoto pobre, que morava em uma área rural na China, possa ter tido uma vida de sucesso, escrito um best-seller, que se transformou em filme? Parece surreal, mas é real porque tenho as memórias e as dores do meu próprio corpo. Eu já vi o filme e estou muito feliz com o resultado. Os diretores fizeram um ótimo trabalho preservando a integridade da história. O filme se chama Mao’s Last Dancer (O Último Bailarino de Mao).

Como você entende o seu presente hoje?

Com a família em 2009 Cunxin: Eu não tenho uma filosofia de vida, nunca tive, mas tenho alguns princípios como: viver a vida com integridade e honestidade. Acredito que quando a vida é delicada com você, devemos ser delicados com os outros. Devemos encarar as oportunidades como grandes tesouros e aproveitar o melhor delas. Finalmente devemos ter paixão em tudo o que fazemos e, sobretudo, coragem para encarar os desafios. Devemos dançar com paixão, dedicação, determinação, perseverança e sempre trabalhar muito, muito. E nunca podemos desistir quando tudo parece impossível.

Por Marcela Benvegnu terça-feira, 19 de abril de 2011

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