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De onde vem o jazz dance?

November 9, 2016

 

Como já escrevi anteriormente, o tema da minha pós-graduação em Estudos

Contemporâneos em Dança na Universidade Federal da Bahia é o jazz dance. Mas
de onde ele vem? Como é a sua história?
Tanto a música quando a dança conhecida com o nome de jazz é resultado de uma
fusão de influências e relações que prosperaram nos territórios americanos a partir
do século 18. Suas raízes estão diretamente ligadas ao coração da África onde a
manifestação não era apenas um espetáculo, mas sim uma forma de diversão.


Considerada uma manifestação unicamente própria de escravos negros das grandes

plantações de algodão e tabaco, a cultura do jazz reflete influências de diversas
índoles. Por uma parte se apreciam ritmos e bailes africanos que duraram muito na
consciência coletiva dos negros, por outro lado estavam as manifestações de
origem religiosa onde ritmos e etnias diferentes tinham em comum o mesmo ritual:
dançavam para a chuva, para pedir fecundidade, para celebrar nascimentos. Suas
influências estão obviamente na cultura negra e suas características mais
marcantes e visíveis inspiradas nas danças africanas.


As danças serviam como suporte de narração de aventuras fabulosas e sucessos

cotidianos próprios de sociedades que desconheciam o uso da escrita. (Nesse
sentido, essas danças duraram mais nos territórios americanos do que em outros
países que também sofreram uma invasão massiva de escravos como as Antilhas e
o Brasil, que depois aderiu ao mambo, cha-cha-cha, conga, merengue e samba
como linguagem).

Em outra parte, fruto do interesse dos brancos por liquidar os ritos e formas
folclóricas, os negros só tiveram recursos para expandir os seus costumes religiosos
a partir do surgimento do cristianismo protestante dos brancos que foram se
convertendo em expressões próprias e particulares. Essas cerimônias surgiram
como uma forma de musicais, que foram muito importantes nos Estados Unidos,
onde o canto acompanhava os movimentos rítmicos.

 

Paralelamente a isso, os negros criaram outras formas de manifestação como os

blues ballads e também as work songs (que eram as músicas criadas no trabalho),
que cantavam em coro sempre regidos por um mestre.

 

Uma outra grande influência nas manifestações de origem negra veio direto da
música e da dança branca, mais propriamente da música popular de raiz européia.
Assim, pelo que parece claro a influência se deu por via de imitação, as polcas,
quadrilhas, marchas, danças irlandesas, bailes ingleses como o clog, começaram a
se misturar com danças autônomas para dar lugar ao que conhecemos como jazz.
Se bem que foram os negros que entretiam seus amos que elevaram as mudanças
da dança africana transformando-a em jazz, mas foram os brancos que começaram
a dançá-la primeiro em lugares abertos.

 

Desde o começo do século 19, quando alguns grupos de bailarinos irlandeses

começaram a atuar no país, as danças dos negros eram interpretadas por brancos,
que por muitas vezes pintavam suas faces de negro para parodiar, cantar e dançar
como tais.


Este cenário mudou completamente com a emancipação dos escravos, acordo

firmado por Abraham Lincoln no dia primeiro de janeiro de 1863: a dança e o canto
dos bailes dos escravos negros agora poderiam sair de lugares restritos e irem para
os públicos. Logo, essa dança que começou a tomar conta dos palcos era de negros
e brancos e esse momento teve uma influência decisiva na Comédia Musical, que
nada mais era do que os primeiros passos do que hoje conhecemos como jazz.


O jazz dance é híbrido, nascido de uma multiplicidade de formas de espetáculos

anteriores, é caracterizado pelo swing, por movimentos sincopados e pela
polirritmia, que é a combinação dos movimentos do corpo em vários ritmos ao
mesmo tempo.

Hoje, ele vem sofrendo uma perda de referenciais, os grandes nomes brasileiros
que “ontem” dominavam o estilo hoje enveredaram para a dança contemporânea,
muitos coreógrafos sofrem carência de atualização de linguagem e estilo. Nos
festivais ainda vemos alguns trabalhos que podemos chamar de “jazz dance” e
outros que mesmo inseridos nessa categoria não apresentam as principais
características da dança.

Marcela Benvegnu é bailarina, jornalista, aluna de pós-graduação da UFBa

(Universidade Federal da Bahia) e escreve às terças-feiras no TodoDia.


Dança: mais do que simples movimento

 

A dança vai além de sua função artística, ela desenvolve a psicomotricidade (cognitivo, físico
e afetivo), ajudando na educação; e auxilia no tratamento e prevenção de doenças, isto é,
ela é “sinônimo” de saúde. Fazendo, assim, parte não só da área de arte, mas também da
área de educação e de saúde. Dentro da área de educação, a dança criativa ou educativa
propícia aos alunos, segundo Débora Barreto, o auto-conhecimento; as vivências de
corporeidade; relacionamentos estéticos com outras pessoas e com o mundo; incentiva a
expressividade artística e humana; libera a imaginação, a criatividade; sendo uma forma de
comunicação e de conhecimento, ajudando na formação dos cidadãos. A dança integra corpo
e mente, trazendo aos alunos relações entre o mundo à sua volta e entre o mundo que
existe dentro si.

Segundo Gesalt, Piaget, Vygostsky e Gugné (teóricos do ensino-apredizagem), a

aprendizagem ocorre através das relações externas e internas de um indivíduo; e Gallahue e
Ozmun dizem que este processo se dá através da genética de um indivíduo, do meio em que
vive e das tarefas que realiza. A dança na escola trabalha dentro deste processo de ensino-
aprendizagem, pois em uma aula o aluno recebe novas informações, relacionando com as já
existentes e com o meio em que está, criando novas informações, gerando conhecimento.


O professor fundamentado nos princípios da dança criativa proporciona ao aluno atividades

que podem estimular, motivar, desenvolver e comunicar idéias e movimentos; fazendo uma
interação entre as crianças e o ambiente. Estas atividades estimulam a capacidade de
solucionar problemas de maneira criativa; desenvolvem a memória; o raciocínio; a
socialização; auto confiança e auto estima; fazendo com que o indivíduo tenha uma melhor
relação com ele próprio e com os outros. Os conhecimentos obtidos dentro desta sala de aula
são levados para a vida, pois o indivíduo é resultado de sua genética, do meio em que vive e
das atividades que executa (GALLAHUE e OZMUN).

Na área de saúde a dança pode ajudar em várias situações, tanto na parte física quanto na
emocional. Dentro dos seus benefícios estão o controle de peso, aumento da força muscular,
fortalecimento do tecido cognitivo, aumento da flexibilidade, diminuição da pressão arterial e
dos batimentos cardíacos, aumento da ventilação pulmonar, diminuição do estresse e da
ansiedade, melhora da tensão muscular e insônia, melhora da auto-estima, da coordenação
motora; do ritmo; do raciocínio; da convivência social; da criatividade; dentre outros fatores
que ajudam o indivíduo a levar uma vida mais saudável.

Segundo as constatações de Diane Tice e as análises de Zillmann,citados por Goleman

(1995) o exercício leve pode esfriar a raiva (vários estudos vem comprovando que o
sentimento de raiva aumenta o estresse no coração, aumentando a pressão sangüínea e o
ritmo cardíaco; podendo causar micro-lesões no vaso arterial, onde se formará placas,
levando à uma doença na artéria coronária ); pois a fisiologia corporal é alterada, abaixando
a estimulação criada pela raiva e tirando-a do foco de atenção. Diane Tice também diz que o
exercício aeróbico ajuda nos casos de depressão leve e tristeza, porque a depressão é um
estado de baixo estímulo e o exercício é de alto estímulo, mudando a fisiologia emocional.
Para o caso de ansiedade e estresse, que pode levar a pessoa a ter um comprometimento no
sistema imunológico, dissipando a metástase do câncer; aumento a vulnerabilidade a
infecções virais; enfarte do miocárdio; aceleração do início da diabete Tipo I e do curso da
Tipo II; e que pode provocar ou piorar uma crise asmática; o indivíduo deveria fazer uma
aula de relaxamento, pois o processo é inverso, a ansiedade leva a uma alta estimulação e o
relaxamento abaixa esta taxa. (GOLEMAN, 1995) Vemos que em todos os casos o exercício
físico e o relaxamento mudam a fisiologia corporal e emocional de um indivíduo; a dança
vista como uma atividade física aeróbica ou anaeróbica e de relaxamento (dependendo da
técnica e/ou estilo) também é capaz de fazer estas mudanças, sem levar em conta a parte
artística que desenvolve outras habilidades.

A dança como arte, seja qual for seu estilo, traz ao público além de lazer, uma nova forma
de ver a vida, o mundo real e o mundo irreal; traz ao espectador o quê as palavras não são
capazes de dizer e o quê somos capaz de sentir; a dança em si tem o poder de criar um
mundo diferente na mente de cada espectador, e este mundo é capaz de gerar novas
informações e conhecimentos para uma vida. Não importa qual o estilo, se ela ta na escola,
na rua ou no teatro, a DANÇA faz parte de nossas vidas; e se prestarmos um pouco mais de
atenção nela e nos seus profissionais, veremos que sua contribuição saí de dentro das
paredes de uma sala de aula e ultrapassa as linhas de um palco, levando para a sociedade
uma contribuição infinita e de grande valor.
REFERÊNCIAS:
BAIAK, M. L. Porque ensinar dança na escola? Artigo publicado no site
www.conexaodanca.art.br em 2005;
no Jornal Dança Brasil em junho/2007 e no Guia Escolas Dança 2007, DB editora. FOSS, M;
KETEMAN, S. Bases fisiológicas do exercício e do esporte. 6 ed. Fox: São Paulo, 2002.
GOLEMAN, D. Inteligência emocional – a teoria revolucionária que redefine o que é ser
inteligente. Trad. de Marcos Santarrita. 75ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

Estudo Histórico da Dança Jazz nos Estados Unidos


Autora Evelyne Correia - PUCPR

Artigo do trabalho de conclusão de curso em Bacharelado em Educação Física – PUCPR –
Maio de 2007 evecorreia@hotmail.com

1. INTRODUÇÃO
A dança é muito mais que uma simples prática corporal, é arte, forma de linguagem, de
comunicação e celebração. A dança sempre esteve enraizada em diversos aspectos sociais:
morte, guerra, religião, comemoração, amor, etc., tornado-se um modo de viver, onde o
homem afirmar-se e relaciona-se perante a comunidade, não sendo diferente com a dança
jazz. A dança não se apresenta apenas como uma prática, e sim como uma arte onde uma
linguagem, os profissionais e professores da área da dança devem estar engajados em
transmitir aos seus alunos toda a cultura relacionada a modalidade que está sendo
trabalhada. Tendo em vista que a dança muitas vezes está incluída na formação de artistas,
como em outras formas de arte, o conhecimento histórico, cultural e social faz parte desta
formação.
O presente estudo visa a contribuição para que hajam mais pesquisas sobre a dança jazz,
tendo em vista que grande parte dos estudos relacionados a esta arte encontram-se na
língua inglesa, e desta maneira enriquecer e preservar a história desta arte, auxiliando o
trabalho de professores e demais profissionais da área da dança. Enquadra-se como
pesquisa analítica histórica, (THOMAS;NELSON, 2002), e pesquisa bibliográfica e
documental, por utilizar como fonte de dados, livros, artigos e vídeos( GIL, 2002).
Este estudo delimitou-se em pesquisar histórica nos Estados Unidos, por ser considerado o
berço da dança jazz. Consta, que neste país ocorreu o grande desenvolvimento e
popularização desta linguagem. A coleta de dados foi realizada através de pesquisa teórica
documentos portadores de dados e informações como: livros, artigos e gravações de vídeos
e filmes, tais materiais foram encontrados em bibliotecas, livrarias e/ou acervos pessoais. As
fontes bibliográficas de língua estrangeira foram traduzidos para a coleta das informações
necessárias e os vídeos assistidos retirando-se as informações relevantes. Em seguida houve
a verificação de equivalência entre as informações contidas nas fontes. A análise foi focada
na observação dos seguintes itens: influência e contribuição das danças africanas no
movimento e ritmo adotados pela dança jazz, na origem da dança jazz nos Estados Unidos,
na popularização da dança jazz através do cinema musical, nas principais personalidades,
como!
bailarinos e coreógrafos que participaram com destaque da história desta modalidade e na
ilustração de elementos técnicos que compõem as movimentações da dança jazz como
modalidade específica de dança.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A Influência e a Contribuição das Danças Africanas

Para Garcia e Hass, (2003, p.65) “Desde que existe o homem, existe a dança”. Através de
figuras dançantes gravadas em cavernas foi possível observar que a dança pré-histórica era
utilizada como ritual sagrado para pedir chuvas, fertilidade, cura para as doenças,
homenagear deuses e como ritual social . Assim como as demais danças pré-históricas, as
danças africanas eram utilizadas em rituais de celebração (ELLMERICH,1988). As danças
africanas caracterizam-se pela polirritmia de movimentos, diversas partes do corpo seguem
padrões diferentes durante a dança, onde a movimentação da cabeça e tronco é muito
marcante, além dos movimentos ondulatórios da pelve.
Segundo Sanderson, (1935) na África cada tribo tinha suas crenças, seus rituais e também
suas danças, sendo que cada uma destas danças eram compostas por características
próprias como ritmos e movimentações, porém uma característica sempre foi comum a todas
elas: a utilização de quase todas, senão de todas as partes do corpo, principalmente do
tronco, da pelve e das mãos. A complexidade do ritmo também era uma característica
marcante nas danças africanas, onde além dos próprios pés, alguns instrumentos como
tambores eram utilizados para a marcação do tempo.
O comércio de escravos em torno de 1619, foi o grande “transportador” da cultura africana
para países da Europa e América do Norte, tanto na dança quanto na música. Durante a
trajetória dos navios pelo oceano Atlântico, as diferentes tribos africanas se encontravam e
acabavam por misturar seus costumes. Quando os navios chegavam a seus destinos a dança
era uma das principais formas dos escravos demonstrarem força e boa saúde, começando
neste ponto a percepção das danças africanas pelos Europeus e Norte Americanos. Como
escravos, os negros africanos cantavam enquanto trabalhavam e dançavam enquanto
descansavam. Como as leis de escravidão proibiam os negros de tocarem seus tambores eles
utilizavam instrumentos de danças folclóricas brancas, além das próprias mãos e pés para
marcar o ritmo e o tempo de suas danças, na tentativa de manter vivas as suas tradições.
Após tornarem-se livres os escravos resgataram ainda mais suas danças, músicas, costumes
e tradições (STEARNS,1968).
A religião foi um ponto crucial nesta miscigenação de culturas, a pregação do cristianismo e
principalmente do catolicismo foi bastante acentuada neste período. Os negros freqüentavam
as igrejas e tentavam reproduzir as melodias aprendidas durante as cerimônias, já que as
melodias brancas podiam ser cantadas livremente, estas canções eram acompanhadas por
instrumentos africanos, como tambores e também por pianos e cornetas.
Marshall & Stearns, (1968), apresentam seis características que evidenciam a influência e a
contribuição das danças africanas na dança jazz: a predominância dos pés nus,
primeiramente, e com sapatos leves, posteriormente, modificando os estilos de danças
européias que predominavam batidas fortes no chão com tamancos pesados, passando-se
para passos leves e arrastados; os joelhos flexionados, a posição ereta e alongada é
característica das danças européias; a utilização de movimentos similares aos de animais é
quase que exclusivamente africana, formando um amplo repertório de movimentos naturais;
a improvisação e a liberdade de movimentos, além do uso de expressões corporais
individuais; a explosão de movimentos executando-se contrações e expansões,
desmembramento durante os movimentos: os membros inferiores movimentam-se a partir
da pelve e não dos tornozelos como nas danças européias, e os membros superiores a partir
dos ombros e não das mãos e o swing, ou seja o balanço, l!
igando as diversas movimentações durante a dança.

A Origem da Dança Jazz Nos Estados Unidos


A literatura apresenta duas correntes específicas relacionadas à origem da dança jazz: as

danças sociais e as danças espetaculares, que eram utilizadas como forma de shows para
entretenimento (GARCIA;HASS, 2003).


A origem da dança jazz através das danças de salão.


As “novas” danças, ou seja, as danças americanas, com essências africanas, desenvolveram-

se tanto nos teatros quanto nos salões de dança, bares e cafés, muitas destas danças não
tinham nomenclatura definida e eram tantas que devido á fase de grande criação todas elas
eram chamadas simplesmente de jazz, ou seja tudo o que era novo em termos de dança era
jazz. Haviam casas noturnas só para negros, através delas eles podiam dançar livremente, a
dança soava como uma forma de celebrar a libertação, eram como locais sagrados. O local
de maior destaque era o Salão Savoy, aberto em 1927 e localizado, no Harlem em Nova
York. O Harlem tornou-se o centro das novas danças nos anos 20 e sua fama estendeu-se
até os anos 50. Este período era também denominado Ragtime, uma revolução tanto para a
música quanto para a dança, pois foi neste período que pianistas negros que tocavam em
tabernas começaram a compor novos sons instrumentais que futuramente seriam chamados
também de jazz (STEARNS, 1!
968).Durante o ragtime ocorreu a libertação estética das tradicionais danças de salão,
fazendo com que os dançarinos expressassem maior individualidade e personalidade durante
as danças.
Dentre estas “novas danças”, algumas tiveram maior importância como: o Camel Walk, o
Cake Walk, o Charleston, o Fox-Trot , e principalmente o Lindy Hop, talvez o estilo mais
importante para o futuro surgimento da dança jazz, (MARTÍNEZ, 1999). Algumas danças que
não fizeram parte do ragtime também sofreram influencia das danças e músicas negras para
sua criação, e de mesma forma que as novas danças estavam presentes nos salões de dança
como: o Twist e o Rock and Roll (ELLMERICH, 1988).
Durante estes períodos em que as “novas danças” invadiram os salões de dança, na fase do
ragtime, e a medida em que diversas outras danças foram surgindo, diversos tabus da
sociedade foram quebrados, contribuindo para a evolução da dança jazz, tendo em vista que
a dança jazz sempre foi uma dança extremante popular. Porém algumas destas danças de
salão também estavam presentes nas danças espetaculares, principalmente o charleston e a
claquete.


A Origem da Dança Jazz Através das Danças Espetaculares

No início século XIX grande parte dos negros, trabalhavam em plantações, e nestes locais
ocorriam festividades envolvendo danças, nesta fase pode-se dizer que eram danças
americanas, pois a grande maioria dos negros já não eram mais puramente africanos, mas
sim mestiços, ou seja norte americanos. Após a Guerra Civil, os negros migraram do sul para
o norte do país. Nesta fase surgiram os Minstrel Shows, aparecendo em larga escala em
1843 e atingindo maior popularização no início do século XX (TOOD,1950).
Os Minstrel Shows apresentavam um humor essencialmente afro-americano eram encenados
por Black- faces, ou seja brancos com os rostos pintados de preto e uma espécie de tinta
vermelha nos lábios para dar um tom ainda mais humorístico. (MARTÍNEZ, 1999). No início
os black-faces imitavam as danças dos negros, porém à medida que foram adquirindo um
perfil mais profissional, as performances procuravam apresentar o negro mais como ser
humano, e não somente como personagem satírico. As movimentações utilizadas eram
baseadas em elementos trazidos da África para a América, iniciando em círculos , semi-
círculos ou mesmo em linha reta, com acompanhamento de palmas. Melodias eram cantadas
pelos próprios personagens, com o acompanhamento de novos estilos de músicas
americanas e a percussão do banjo (TOOD, 1950). Apesar da predominância dos black-faces,
alguns dançarinos negros também participavam dos Minstrel Shows e muitos deles tiveram
tanto mérito quanto os brancos, William Henry Lane!
foi um deles, conhecido no teatro simplesmente como Juba.
Com o crescimento das cidades a indústria do entretenimento também se expandiu. Na
metade do século XIX é criado o café-concerto, ou concert salloon, com a idéia de promover
espetáculos para o público. Com o tempo ocorreu aos empresários a idéia de refinar estes
espetáculos e apresenta-los em teatros, para que toda a sociedade pudesse ter acesso,
estava criado o Vaudeville, ou Teatro de Variedades, e nestes espetáculos as novas danças,
ou seja o jazz era muito bem vindo, e os negros que o dançavam também
(ANTOLOGIA...,1980). O Jazz apareceu de forma lenta nos shows da Broadway, considerado
o maior centro cultural dos Estados Unidos no final do século XIX. Os críticos da época
comentavam muito sobre estas novas danças e estes comentários estavam sempre
relacionados às palavras “vulgar” e “grotesco”, principalmente quando escreviam sobre os
movimentos de quadril, porém o público era cada vez maior e quanto mais vulgar o show era
considerado pela sociedade, maior era também su!
a audiência (KISLAN, 1987).
No início alguns dançarinos negros eram incluídos em shows produzidos por branco e os
shows da Broadway eram dominados pelos modelos europeus, quando os negros começaram
a ser incluídos nos shows foram praticamente forçados a adotarem estereótipos similares aos
dos Minstrels, então a Comédia Musical foi o caminho utilizado pelos negros para demonstrar
seu talento, uma mistura de comédia exagerada americana com as óperas cômicas
britânicas. O ano de 1897 foi brilhante para os negros no quesito entretenimento, neste
período muitas comédias musicais foram estreadas e diversos grupos ficaram famosos nesta
década, principalmente Bert e Williams. Nesta fase houve a popularização do Cakewalk nos
shows musicais. Em 1898 Bob Cole produziu seu primeiro show chamado A Trip to
Coontown, é considerado como a primeira comédia musical negra, por ser totalmente criada
e encenada por artistas negros, era uma peça baseada nos modelos europeus, porém em
todos os momentos o cakewalk era claram!
ente reconhecido. A divulgação das novas danças também ocorreu através do casal branco
Vernon e Irene Castle, que eram dirigidos por um negro chamado James Reese Europe, este
casal encantava multidões pela forma com que traziam as danças dos salões para o palco
dos musicais de forma tão refinada e ao mesmo tempo chocante devido aos novos passos
que exibiam durante as apresentações. O efeito causado por eles foi extremamente forte e
decisivo para trazer as novas danças que surgiam nos salões para o palco dos espetáculos
musicais. Ziegfeld’s Follies foi uma série de produções teatrais que ocorreram na Broadway,
em Nova York, por volta de 1907 até 1931, montada e dirigida por Florenz Ziegfeld. As peças
eram de uma enorme variedade, desde sucessos inéditos até mostras bem elaboradas do
teatro de variedades. Grande parte dos bailarinos mais famosos da época surgiram a partir
desta companhia. Outra característica marcante eram as garotas, haviam muitas delas nos
shows, tanto que!
até receberam o nome de Ziegfeld Girls. (www.Wikipedia.org/wiki/zieg felfollies).
Em 1913 o musical “Darktown Follies” estreou no teatro Lafayette, localizado no bairro nova-
iorquino do Harlem, este musical abriu as portas das apresentações teatrais para os negros e
a partir de então as danças negras, ou seja o jazz, já não eram vistas como algo tão
escandaloso e o Lindy Hop era o estilo mais utilizado, sendo base para as danças nas
produções teatrais dos anos 30, 40 e 50 (MARTÍNEZ, 1999).
Diversos produtores queriam financiar shows negros, já que a riqueza de danças e músicas
dos espetáculos negros eram incrivelmente superiores aos tradicionais espetáculos com
características européias. Nesta fase dançarinos brancos , principalmente as mulheres
também se interessavam em aprender a dançar jazz e desta forma foram surgindo diversos
espetáculos com características negras na Broadway (STEARNS,1968).
Bill Robinson aparece no musical “Blackbirds” em 1928 e também torna-se uma estrela da
Broadway, sua especialidade era o sapateado, porém o swing do jazz já estava em seu
corpo,naturalmente, quando executava seus audaciosos passos de dança.
A partir da década de 30, ocorreu uma verdadeira chuva de musicais, que se tornaram uma
verdadeira febre do entretenimento americano.

 

Em 1936 estréia “On Your Toes” de George
Balanchine, neste musical já era possível observar a influência dos ritmos e balanços do jazz
no balé clássico, a partir desta fase estas duas modalidades influenciaram uma á outra,
enriquecendo as técnicas e movimentações utilizadas no jazz e dando mais liberdade aos
movimentos do balé clássico, que ao mesmo tempo já estava sendo afetado também pela
dança moderna e contemporânea (STEARNS, 1968).


Após a Segunda Guerra o jazz tornou-se ainda mais atraente, por ser um estilo alegre e
contagiante, Jack Cole, coreógrafo que se destacou com a famosa obra “Wedding of a Solid
Sender” de 1943, apresentada na Broadway com grande êxito, era freqüentador do Savoy e
acompanhou de perto o nascimento e a popularização do lindy hop, apesar de utilizar
diversas outras danças em suas coreografias (danças exóticas indianas e hindus), tinha
como referência o lindy hop, que segundo ele era a base para toda e qualquer dança jazz
teatral (MARTÍNEZ, 1999).

A popularização do Jazz através do Cinema Musical


O surgimento do fonógrafo no início do século XX permitiu que a população tivesse melhor

acesso á música e a dança. Nos anos 20 foi a invenção do rádio, que transformou-se
presença constante na vida de todos, e com o surgimento do rádio, o fim do cinema mudo,
consequentemente surgindo o cinema sonoro, que logo na próxima década fez sucesso
absoluto como cinema cantado, e é claro dançado, ou seja, nos anos 30 nasce o cinema
musical (ANTOLOGIA...,1987).


Lembramos que o teatro de variedades, as comédias musicais, e os demais musicais que
surgiram principalmente na Broadway, tornaram-se muito populares, o que também
significaria, muito lucrativos, muitos estavam interessados em investir no ramo do “Show
Business”, investimentos que com o cinema musical iriam render ainda mais lucros. Diversos
produtores, diretores, cantores e dançarinos que já eram considerados estrelas da Broadway
foram chamados para participar do cinema musical.


Segundo Caminada, 1999, os nomes que em primeiro lugar nos ocorrem à mente ao associar
dança e cinema são: Fred Astaire, o qual juntamente com sua parceira mais famosa Ginger
Rogers a elegância e o charme foram suas marcas registradas e Gene Kelly, lembrado por
sua dança atlética e acrobática.

 

Entre 1940 e 1950 os musicais já dominavam a indústria
cinematográfica. Considerado por alguns como o pai do jazz Jack Cole também coreografou e dirigiu diversos filmes musicais, dentre os mais famosos “Gentlemen Prefer Blondes” com
Marilyn Monroe em 1953, lançado no Brasil com o título, “Os Homens Preferem as Loiras”
(MARTÍNEZ, 1999).

 

Em 1957 surge o mais famoso dos musicais da Broadway “ West Side
Story” de Jerome Robbins, neste musical a dança baseava-se totalmente na dança jazz da
época, que aliás já se despontava em escolas e academias.(PORTINARI, 1989). O coreógrafo
Bob Fosse encarregou-se de continuar a revolução de Jerome Robbins, suas outras obras
retratavam a realidade, em “S!


weet Charity”, de 1969 abordou a prostituição, em “Cabaret” de 1972 o nazismo, em
“Chicago”, com Gwen Verdon, a máfia, e no musical “All That Jazz” de 1979 Bob Fosse falou
sobre a morte.


Muitos outros coreógrafos contribuíram para o cinema musical, entretanto nenhum deles fez
tanto sucesso quanto Bob Fosse que chegou a ser considerado o salvador do gênero,7

 

Por https://pt.scribd.com/document/54858664/Danca-curiosidades

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